Marcha das Mulheres: resistência, política e humor

Foto: UOL

No sábado 21 de Janeiro de 2017, foram 175 mil as pessoas que se juntaram no mais antigo jardim público dos EUA, no centro de Boston. Foi mais uma das 673 “marchas-irmãs”, que se organizaram por todo o mundo para acompanhar a principal, que teve lugar na capital norte-americana, em Washington D.C., um dia depois de Donald J. Trump se ter tornado Presidente.

O movimento Women’s March (Marcha da Mulheres) nasceu de baixo para cima, pouco depois da eleição de 8 de Novembro de 2016 que surpreendeu grande parte da América com a vitória de Trump. Tal como as raízes das ervas que nascem da terra, é um movimento de base, politizado mas não partidário, que partiu da vontade de acção de cidadãos comuns – neste caso, de mulheres comuns – construírem uma democracia participativa. Um pequeno grupo de desconhecidas lançou o desafio através das redes sociais. A resposta foi avassaladora e a prova disso foi aquilo que aconteceu em Washington, nos Estados Unidos e no mundo inteiro no dia 21 de Janeiro e levou milhões de pessoas a saírem de casa para, unidas, se manifestarem. Já é considerada a maior manifestação que alguma vez aconteceu no país. Nenhuma rede social teria substituído a força da presença humana. Mas não chega. E a partir daqui tudo regressará às redes sociais onde nasceu – a marcha foi apenas o primeiro passo de muitas acções e iniciativas no sentido de dar continuidade ao espírito, às ideias e políticas da Women’s March.

Por tudo aquilo que a América de Trump pôs em risco, marchar marchar
O que é que defendem as pessoas de todas as idades e origens étnicas – mulheres, sobretudo, mas também, homens, crianças – que no sábado se juntaram no centro de Boston e em tantos outros lugares? As únicas palavras que poderiam reunir a multiplicidade de causas são os direitos humanos, a justiça social, a igualdade, a tolerância, a paz.Todos valores que se sentiram postos em causa pelas palavras e políticas anunciadas por Donald Trump durante a intensa campanha eleitoral e que se viram, realmente, ameaçados pela sua eleição. Aquilo que se tornou visível nas milhares de frases escritas à mão em cartazes, folhas de papel, cartões reciclados, erguidos por entre a multidão de cabeças (cor-de-rosa) foi precisamente essa diversidade de ideias e causas. Os cartazes diziam coisas diferentes, mas todos dialogavam uns com os outros. “Women’s rights are human rights”, defender os direitos das mulheres é defender os direitos humanos e vice-versa. Os benefícios para uns são os benefícios de todos.

No dia 21 de Janeiro, defenderam-se os mais frágeis e marginalizados, os “ilegais”, os imigrantes ameaçados pela deportação devido às novas políticas, as mulheres vítimas de violência, o planeamento familiar, os direitos LGBT, as pessoas com deficiência, tal como os direitos reprodutivos ou a desigualdade salarial entre homens e mulheres, ainda tão tolerada nos Estados Unidos como noutros lugares do mundo democrático. “Trabalho igual/salário igual.” Contra o racismo, a desigualdade, a discriminação e a intolerância. “Em vez de muros construam-se pontes”, lia-se em vários cartazes. São múltiplos os cruzamentos entre as diferentes esferas, da justiça à igualdade ou à ecologia. E mesmo que algumas pessoas se sintam mais identificadas com umas causas do que com outras, cada vez existe mais consciência de como todas se cruzam.

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