O movimento de motoristas e cobradores organizado na manhã desta terça-feira (14) em defesa do emprego da categoria recebeu manifesto de apoio à base de apoio ao prefeito Marcus Alexandre. O líder do prefeito na Câmara, vereador Eduardo Farias (PCdoB), pediu como encaminhamento a retirada de assinaturas por algum dos vereadores que já haviam se manifestado a favor do requerimento – único ato que pode anular a instalação da Comissão. O vereador Clezio Moreira (PSDB), chegou a pedir que a instalação da CEI não acontecesse hoje: “Somente após maior diálogo entre os vereadores”, deixando no ar uma possibilidade de recuar em sua assinatura.
Os trabalhadores lotaram a galeria da Câmara Municipal e o presidente do sindicato, Marcos Costa, foi convocado à tribuna da Casa para fazer os questionamentos aos vereadores. Marcos pediu como maior esclarecimento, qual o real objetivo da criação da CEI e quem deve se responsabilizar por uma eventual demissão em massa, no caso de suposta ruptura dos contratos com as empresas.
Após a pergunta, vereadores da base e de oposição se revezaram em discussões favoráveis e contra a instalação da Comissão. O autor do requerimento, vereador Roberto Duarte, voltou a esclarecer que o objetivo é a investigação de supostas irregularidades cometidas entre o Executivo e as empresas na renovação de contratos e termos aditivos.
“O encaminhamento que será dado após a constatação das supostas irregularidades é o envio de documentos e do relatório final ao Ministério Público. Esse órgão é que será responsável por apurar e pedir as providências cabíveis para o caso”, disse Duarte.
O líder do PT na Câmara, vereador Mamed Dankar, puxou o coro da base da prefeitura, afirmando que a criação da CEI tem objetivos políticos. Ele foi aparteado pelos demais pares todos encaminhando pela não instalação da comissão.
“Isso é uma tentativa de fazer trampolim político e de prejudicar os trabalhadores dos transportes coletivos” disse Dankar.
O vereador Emerson Jadude (PSL) interviu e esclareceu que antes da criação da Comissão, as empresas já estão em processo de falência. Afirmou ainda que, direitos trabalhistas são questões pontuais entre empresas e trabalhadores.
“O nosso papel é investigar contratos entre o Executivo e as empresas, o que não representa nenhuma perspectiva de ruptura de contratos, essa decisão caberá ao Ministério Público encaminhar. Nunca estaremos contra os trabalhadores, mas a favor inclusive do recolhimento de seus direitos trabalhistas”, disse Jarude.
Na galeria do parlamento municipal, por diversas vezes os trabalhadores de transportes coletivos, misturados a assessores políticos, manifestaram-se hora contra e a hora favor dos debatedores.
