A floresta como sustento: o empreendedorismo e criatividade do Doutor da Borracha

Seringueiro, artesão, filho da mata. Natural de Assis Brasil, José Rodrigues vem de uma família de seringueiros, profissão que também seguiu. Hoje, conhecido popularmente como Doutor da Borracha, Rodrigues começou a cortar seringa aos 10 anos de idade. Hoje, aos 45, continua fazendo da seiva da seringueira sua fonte de sustento.

Há cerca de 10 anos, José fabrica sapatos e acessórios produzidos de látex, os calçados, seu carro forte, saíram da zona rural de Epitaciolândia onde mora e ganharam o Brasil e o mundo. Hoje seus produtos são exportados para grandes lojas no Brasil e Milão, na Itália.

O artesão ao lado da esposa Delcilene/Foto:SECOM

“Eu mesmo invento os produtos que eu faço, tenho uma ideia e vou trabalhando ela até se tornar um produto bacana pra vender. Tem produto meu sendo vendido em vários estados, eu envio para o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, até para a Itália eu mando produto, graças a deus eu trabalho bastante e consigo vender meus produtos”, disse o artesão.

Os calçados são produzidos utilizando uma técnica que aprendeu em um curso ministrado pela (Universidade Federal de Brasília (UnB), onde são produzidas ‘folhas de látex’, as chamadas Folha Semi Artefato (FSA). A borracha utilizada vem da seiva recolhida nas seringueiras que ele mesmo corta, tudo em um processo artesanal.

Atualmente o artesão fabrica cerca de 400 sapatos por mês “eu fabrico essa quantidade porque é o que dá, mas se eu fabricasse mais, venderia mais, estou trabalhando para expandir o negócio”, afirma.

Além dos calçados, o seringueiro fabrica bolsas, chaveiros, colares e outros acessórios que sua criatividade permitir.
O apelido Doutor da Borracha que dá nome á sua marca surgiu ainda na infância “quando eu era criança, nós tínhamos um vizinho que sempre que me via ele dizia: ‘esse aí é esperto vai ser um doutorzinho’, e esse apelido foi levado pra frente, quando comecei á fazer as sapatilhas, quem me chamava de doutorzinho passou á me chamar de doutor da borracha e foi ficando, esse é inclusive o nome fantasia da minha empresa’.

Calçados de látex produzidos por José Rodrigues/Foto:SECOM

Oportunidades

José Rodrigues já teve seu trabalho reconhecido de diversas formas, participa de feiras, exposições e ganhou prêmios como o Prêmio Chico Mendes de Florestania em 2014 e o mais recente Prêmio Top 100 Sebrae.

Além de trabalhar ao lado da esposa Delcilene, o seringueiro realiza oficinas de capacitação de artesanato em borracha para as comunidades ao redor, além disso, o casal emprega 2 funcionários: “Desde criança eu vivo na mata e de lá tiro meu sustento, o que mais me deixa feliz hoje é poder repassar meu conhecimento á outras pessoas e dar oportunidade, gerar renda e emprego para outras pessoas, se Deus quiser eu vou conseguir aumentar ainda mais estas oportunidades”, explica o seringueiro.

Humilde, simples e educado, o Doutor da Borracha nunca foi à escola, não sabe ler, nem escrever, em uma conversa rápida com o seringueiro é possível entender que na floresta ele aprendeu muito mais sobre a vida do que aprenderia no banco de universidades.

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