OAB/AC promove ato de repĂșdio Ă  reforma da PrevidĂȘncia e faz critica ao judiciĂĄrio

Por ASSESSORIA 11/03/2017 Ă s 09:35

A OAB/AC realizou ato de repĂșdio Ă  Reforma da PrevidĂȘncia, na manhĂŁ da Ășltima quinta-feira, 09, na sala do advogado, no FĂłrum CĂ­vel. Na ocasiĂŁo, o presidente da Ordem, Marcos VinĂ­cius Jardim Rodrigues, leu Carta Aberta contra a Reforma, escrito na sede do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em BrasĂ­lia, no dia 31 de janeiro de 2017, com apoio de dezenas de entidades representativas de categorias profissionais.

AlĂ©m da OAB, assinaram a carta, entre elas, o Conselho Federal de Economia (Cofecon), Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) e a Associação Nacional dos Advogados PĂșblicos Federais (Anafe).

Ao elaborarem a carta, as entidades presentes na reuniĂŁo do Conselho da OAB, manifestaram que a proposta da PEC 287/2016 “estĂĄ fundamentada em premissas equivocadas e contĂ©m inĂșmeros abusos contra os direitos sociais”, dentre eles:

1)      ExigĂȘncia de idade mĂ­nima para aposentadoria a partir dos 65 anos para homens e mulheres;

2)      49 anos de tempo de contribuição para ter acesso a aposentadoria integral;

3)      Redução do valor geral das aposentadorias;

4)      Precarização da aposentadoria do trabalhador rural;

5)      Pensão por morte e benefícios assistenciais em valor abaixo de um salårio mínimo;

6)      Exclui as regras de transição vigentes;

7)      Impede a cumulação de aposentadoria e pensão por morte;

8)      Elevação da idade para o recebimento do benefício assistencial (LOAS) para 70 anos de idade;

9)      Regras inalcançåveis para a aposentadoria dos trabalhadores expostos a agentes insalubres;

10)  Fim da aposentadoria dos professores.

 

Leia um trecho da carta:

“A PEC 287/2016 tem sido apresentada pelo governo sob discurso de catĂĄstrofe financeira e ‘dĂ©ficit’, que nĂŁo existem, evidenciando-se grave descumprimento aos artigos 194 e 195 da Constituição Federal, que insere a PrevidĂȘncia no sistema de Seguridade Social, juntamente com as ĂĄreas da SaĂșde e AssistĂȘncia Social, sistema que tem sido, ao longo dos anos, altamente superavitĂĄrio em dezenas de bilhĂ”es de reais (…). A proposta de reforma apresentada pelo governo desfigura o sistema da PrevidĂȘncia Social conquistado ao longo dos anos e dificulta o acesso Ă  aposentadoria e demais benefĂ­cios Ă  população brasileira que contribuiu durante toda a sua vida”.

Segundo o presidente da OAB/AC, a Reforma da PrevidĂȘncia deve ser justa e acima de tudo, respeitar o cidadĂŁo. “Que fique bem claro que este ato de repĂșdio Ă  reforma previdenciĂĄria, nĂŁo significa que a OAB seja contra as mudanças necessĂĄrias, porĂ©m uma reforma com a amplitude e o impacto da Reforma PrevidenciĂĄria, deve ser levada Ă  discussĂŁo com o povo brasileiro, de forma transparente e sincera. Essa reforma previdenciĂĄria, baseada em alicerces falsos e chantagistas, nĂŁo pode prosperar, pois despreza todo o esforço que o brasileiro faz durante dĂ©cadas para garantir uma renda mĂ­nima na sua terceira idade. Os representantes do povo carecem de legitimidade exatamente porque as iniciativas postam sempre sĂŁo contrĂĄrias ao interesse popular. Somos o paĂ­s mais tributado do mundo, e em troca recebemos serviços pĂ­fios de segurança pĂșblica, saĂșde, educação, infraestrutura. Pior, temos nos deparado com a grave situação de corrupção endĂȘmica. O dinheiro do povo brasileiro tem servido ao longo da histĂłria para alimentar uma cadeia de corrupção multibilionĂĄria que degrada as bases de nossa Democracia”, afirmou Rodrigues.

A OAB pretende, com a carta aberta, exigir do Governo Federal que, antes de aprovar a PEC 287/2016, seja divulgada as receitas da Seguridade Social, computando todas as fontes de financiamento previstas no artigo 195 da Constituição Federal, bem como o impacto anual da Desvinculação de Receitas da UniĂŁo (DRU), renĂșncias fiscais que tĂȘm sido concebidas, a desoneração da folha de salĂĄrios, alĂ©m dos crĂ©ditos tributĂĄrios previdenciĂĄrios que nĂŁo estĂŁo sendo cobrados, a fim de ter real conhecimento da necessidade de uma reforma nas dimensĂ”es propostas pelo Governo Federal.

O presidente da OAB/AC encerrou o ato afirmando que enquanto houver prerrogativas e direitos humanos violados, em detrimento de uma justiça social efetivamente plena e concreta, a OAB sempre cumprirå sua função de falar em nome da sociedade.

Participaram do ato, além de advogados, a vice-presidente da OAB/AC, Marina Belandi, o secretårio-geral da Ordem, Thiago Poersch, representante da CAAAC, Renato Tavares, a presidente da Comissão da Jovem Advocacia, Marília Gabriela, o presidente da Comissão do Idoso, Ismael da Cunha Neto, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Geovanni Cavalcante, e a presidente da Comissão de Ação Social, Iolanda Cristina.

CrĂ­tica ao Poder JudiciĂĄrio

Ainda durante a manhĂŁ da Ășltima quinta-feira, 09, o presidente da OAB/AC, Marcos VinĂ­cius Jardim Rodrigues, juntamente com a vice-presidente, Marina Belandi, realizaram severas crĂ­ticas ao Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC), devido a inĂșmeros casos de desrespeito Ă  advocacia e ao cidadĂŁo.

A forma de implantação e administração do processo eletrÎnico foi um dos questionamentos do presidente da Ordem, no qual afirmou que as mudanças de sistema são tomadas sem qualquer participação dos advogados.

“O processo eletrĂŽnico, enquanto meio para alcançar justiça se trata de um bem pĂșblico e, sendo assim, nĂŁo pode ser administrado de forma isolada e unilateral pelo Poder JudiciĂĄrio, sem a participação dos advogados, que enfim sĂŁo usuĂĄrios do sistema. O processo eletrĂŽnico brasileiro Ă© extremamente excludente, que tem inviabilizado o exercĂ­cio da advocacia e a realidade demonstrou a sua desvinculação com o princĂ­pio do acesso Ă  justiça. Trabalhamos em nome do cidadĂŁo! NĂłs somos a voz constitucional da população, portanto nĂŁo aceitamos a administração isolada do processo eletrĂŽnico, sem qualquer diĂĄlogo ou participação da advocacia”, declarou Marcos VinĂ­cius Jardim Rodrigues.

Outra insatisfação da OAB/AC refere-se Ă  nova sede dos Juizados Especiais, construĂ­do pelo Poder JudiciĂĄrio e inaugurado sem infraestrutura completa e adequada para receber centenas de pessoas que lĂĄ transitam diariamente. “O Tribunal de Justiça do Estado do Acre inaugurou um prĂ©dio, que recebe centenas de pessoas por dia, sem estacionamento, agravando as condiçÔes de acessibilidade na Cidade da Justiça. NĂŁo existe acesso para pedestres ao FĂłrum Criminal, do mesmo modo que nĂŁo existem calçadas naquele ambiente. A sede dos Juizados Especiais nĂŁo tem estacionamento, Ă© de precĂĄria acessibilidade, nĂŁo conta com o mobiliĂĄrio necessĂĄrio, fazendo com que cidadĂŁos e advogados fiquem horas em pĂ© a espera das audiĂȘncias. Ou seja, uma situação realmente de descalabro que nĂŁo passarĂĄ desapercebida pela OAB/AC”, afirmou Rodrigues.

OAB/AC promove ato de repĂșdio Ă  reforma da PrevidĂȘncia e faz critica ao judiciĂĄrio

A forma de implantação e administração do processo eletrÎnico foi um dos questionamentos do presidente da Ordem / Foto: Assessoria

O presidente e a vice-presidente da OAB/AC chegaram a se reunir com a presidĂȘncia do TJAC para falar acerca desses problemas do prĂ©dio dos Juizados Especiais, em fevereiro de 2017, e estĂŁo a espera das soluçÔes necessĂĄrias.

 

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