Quando se toma a decisão de adotar um animal de estimação, além da responsabilidade que o ato traz em si, muitas vezes um outro fator pesa bastante na escolha dos interessados: a raça dos animais.
Guiados principalmente pelo porte físico diferenciado, os interessados às vezes deixam passar oportunidades de boas companhias pelo simples fato da maioria dos animais à espera de um lar não possuírem raça definida – os famosos vira-latas.
Felizmente, essa situação vem diminuindo na Capital e muitas chances vêm sendo dadas para que os vira-latas provem que possuem o mesmo valor que animais com pedigree.
Preconceito com os famosos “vira-latas” tem diminuído com o passar dos anos. Na foto Zoe e Tone /Foto: Arquivo pessoal
Sociedade Amor a Quatro Patas
Iniciada com a campanha “Natal Animal” em 2011, a Sociedade Amor a Quatro Patas tornou-se o primeiro grupo de proteção animal do Acre. Há seis anos a associação sem fins lucrativos reúne pessoas interessadas em combater os maus-tratos contra os animais, promovendo campanhas de adoção e resgatando animais doentes ou feridos.
Presidente da Sociedade há dois anos, Mariana Lima Ferreira explica que as redes sociais colaboram bastante para o trabalho da associação. Segundo informações da presidente, 98% dos animais resgatados são Sem Raça Definida (SDR), ou seja, vira-latas. “Nos eventos de adoção, vemos o interesse enorme pelos animais de raça. É muito triste essa rejeição”, disse Mariana.
Três clínicas na Capital são parceiras da Sociedade Amor a Quatro Patas: a CEVET, Petigato e Cães & Cia, que auxiliam no tratamento de animais resgatados que precisam urgentemente de auxílio veterinário. Atualmente existem cerca de 20 animais em lares provisórios à espera de adoção e cinco em tratamento com apoio das clínicas parceiras.
“Infelizmente, nós não possuímos abrigo para abrigar os animais resgatados após o tratamento. No entanto, providenciamos lares provisórios nas casas de voluntários que oferecem suas residências para que o animal permaneça até a adoção definitiva”, destacou Mariana.
“Foi amor à primeira vista”
Querubim é um dos xodós de Danielle /Foto: Aqruivo pessoal
Para a estudante de psicologia Danielle Castro, a adoção de animais, independente de raça, é um ato de carinho. Mais do que isso: é um compromisso que se firma em troca do companheirismo do animal. “Tenho uma cachorra chamada Luna e uma gata chamada Tequila, que foram adotados, e um gato que nasceu posteriormente, o Querubim. A Tequila estava numa clínica veterinária à espera de um dono e foi amor à primeira vista”.
Danielle também contou a história de uma resgate: “Já o da Luna foi cheio de emoções. Ela tinha um dono que a deixava na rua, vulnerável, até que ela engravidou e teve seus filhotes. Quando eles nasceram ele trancou os filhotes em uma garagem, deixando ela de fora. Foi então que a denúncia chegou até a Sociedade Amor a Quatro Patas. Depois de envolver vizinho, polícia e dois dias de resgate, todos os cachorros foram resgatados e eu fui o lar provisório deles. Quando os filhotes se foram, a Luna ficou”, relatou Danielle.
Tequila é só amor em casa /Foto: Arquivo pessoal
O que mudou com as adoções? “Um animal ele muda sua vida em todos os sentidos. A Tequila é um pouco mais rabugenta, mas a Luna é minha sombra. Onde eu vou, ela vai. Chegar em casa e ver a festa que ela faz manda os problemas embora por um tempo. E o Querubim é o oposto da Tequila: carinhoso e muito manhoso. Eles são meus parceiros e eu jamais me vejo sem. Você ter um animal na sua casa, na sua vida, é um modo de encontrar a felicidade”, afirmou.
Essa felicidade também é sentida por Mônica Parfan, outra estudante de psicologia da Capital. Casada e mãe de três filhos, a família atualmente possui dois animais de estimação: Panetone, apelidado carinhosamente de Tone, e Zoe, ambos adotados.
Tone e Zoe são a alegrai da casa de Mônica agora /Foto: Arquivo pessoal
“A chegada do Tone na nossa família foi maravilhosa. Eu o encontrei na rua com muitas micoses, e quando o vi, tive a maior vontade de protegê-lo e pensei que o daria quando estivesse melhor. Mas toda a família se afeiçoou a ele de um jeito que foi impossível nos separarmos. Parece bobagem, mas não o vejo como um cachorro, mas sim como um bebê. Ele é muito carinhoso, e a Zoe só veio pra completar ainda mais a alegria da casa. É muito bom chegar em casa e ver a felicidade dos dois. É muito amor completando o que já existia na família”, disse Mônica.

