O primeiro-secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Manoel Moraes (PSB), classificou como falta de “coerência”, o Projeto de Lei (PL) de autoria do deputado estadual, Heitor Júnior (PDT) que determina a extinção dos feriados estaduais alusivos ao Dia do Católico e Dia do Evangélico, comemorados nos dias 20 e 23 de janeiro, respectivamente.
Manoel Moraes /Foto: Reprodução
Para Manoel Moraes, autor dos projetos que instituem o Dia do Católico e do Evangélico, os feriados não acarretam nenhum tipo de prejuízo à economia do Estado. Ele lembrou ainda que quando apresentou o PL obteve aprovação por unanimidade.
Manoel Moraes relatou ainda que os fieis da cidade de Xapuri lhe enviaram mensagens questionamento se o autor do projeto estaria possuído pelo maligno. “Veja bem, não são palavras minhas, mas de fieis lá de Xapuri, que questionaram se ele estaria possuído pelo maligno. Os evangélicos estão revoltados com essa falta de respeito”.
“Quando apresentei esses dois projetos do Dia do Católico e do Evangélico, eu quis na verdade homenagear o trabalho social incrível que essas duas instituições religiosas realizam no Estado. Escolhi o mês de janeiro para homenageá-los por se tratar de um mês parado, em que quase nada acontece. Não ocorre neste período nenhum tipo de construção agrícola ou civil, é um mês parado. Dessa forma, essa justificativa do deputado Heitor Júnior, de que esses feriados atrapalham a classe comercial, não é aceitável”, disse.
Moraes alegou ainda que nunca foi comunicado de das tais reuniões deliberativas em que pastores teriam se posicionados favoráveis à extinção do feriado. “É fácil reunir aqui cinco ou 10 pessoas que pensam igual a mim, se for assim trarei 100 pessoas com a mesma opinião minha, contrária à extinção, para que apoiem a minhas argumentativas”, disparou.
O parlamentar questionou ainda o posicionamento dos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que, segundo ele, aprovaram o projeto que extingue os referidos feriados sem ao menos dialogar com os demais deputados.
Gehlen disse ser absurdo a aprovação do projeto pela CCJ /Foto: Reprodução
“Achei um absurdo a CCJ aprovar esse projeto sem nem ao mesmo conversar com os demais parlamentares, extinguir um feriado que foi aprovado por unanimidade nesta casa é no mínimo incoerente. Peço mais respeito com os projetos de minha autoria que são aprovados neste Parlamento, respeito é bom e todo mundo gosta”, complementou.
O clima esquentou e os demais parlamentares entraram no debate. O deputado Jenilson Leite (PCdoB) lamentou a troca de farpas entre os colegas e disse que acreditava que a extinção dos feriados era consenso na Casa, mas diante do debate acalorado anunciou que será realizado nova reunião para que sejam ouvidos os parlamentares contrários a matéria.
O deputado Gehlen Diniz (PP) disse não aceitar o fim do feriado evangélico. “Isso é um retrocesso para os evangélicos, uma vergonha. Criar um projeto de lei para extinguir o feriado nesta casa é absurdo demais e eu não vou aceitar. É brincadeira, domingo já feriado mundialmente, nós não queremos comemorar no domingo, nós queremos comemorar na data que foi criado. Nos queremos é o nosso feriado do Dia do Evangélico, não queremos que acabe. A bancada evangélica não pode me envergonhar, ela tem que se manifestar contra esse absurdo. Essa semana se comemora a semana santa, e o dia do evangélico como fica? Nada contra os meus irmãos católicos, mas nós queremos o nosso dia. Peço que o deputado Heitor retire esse projeto de pauta, isso é uma falta de respeito com a gente. Eu vou espalhar no Acre os nomes de quem votou a favor para acabar com o nosso feriado”, ameaçou.
Deputado Heitor Júnior (PDT), presidente do CCJ/Foto: reprodução
Em resposta a Manoel Moraes, Heitor Junior afirmou que uma nova reunião será realizada na próxima terça-feira (18), às 8h, no auditório da Aleac para deliberar sobre o assunto antes que a matéria entre na pauta de votação.
“Na oportunidade, os deputados, pastores e católicos que se sentirem prejudicados podem defender a permanência do feriado. Só não vou aceitar que espalhem que eu, deputado Heitor Junior, apresentei um ‘Projeto de Lei do Cão’. Isso é uma falta de respeito, peço a sensibilidade e, deixo claro, que não tem problema algum se a maioria dos deputados votarem contra meu PL. Agora, não vou aceitar que façam disso um Carnaval fora de época”, concluiu.

