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Livrorreportagem sobre o famoso caso “Escola Base” é lançado em São Paulo

Por ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET (com informações e fotos de Márcia Parfan, de São Paulo)

Resultado de três anos e meio de pesquisa, o livro “Escola Base” retrata, através de documentos e depoimentos colhidos pelo jornalista Emílio Coutinho, a escalada de erros que levou a um dos casos mais estudados em cursos de Jornalismo e Direito no país: da Escola de Educação Infantil Base.

O lançamento aconteceu no auditório Nelson Carneiro, da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), e contou com a presença do autor, de Paula Milhin, ex-sócia da Escola Base, e do jornalista Florestan Fernandes Jr., que tentou mostrar, na época, a injustiça e a falta de provas das acusações.

Entenda o caso

Em 1994 os proprietários e funcionários da Escola de Educação Infantil Base, localizada na zona sul de São Paulo, foram surpreendidos com acusações envolvendo abuso sexual de menores. A situação se agravou graças a diversos veículos midiáticos (jornais diários, revistas, rádios e televisão) que reforçavam as denúncias.

Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, o casal proprietário da escola, viu-se cercado pelo crescente circo midiático, que também incluía acusações aos sócios do casal, Maurício de Monteiro Alvarenga e sua esposa, Paula Alvarenga (hoje, Milhin).

Após registrarem oficialmente as denúncias feitas por mães de dois alunos em 27 de março, o delegado Edélcio Lemos autorizou, no dia seguinte, mesmo sem mandato, buscas nas imediações da instituição de ensino. Mesmo sem nenhuma evidência concreta, as mães responsáveis pela acusação contataram a TV Globo.

Creditando informações ao delegado, as manchetes mais sensacionalistas foram veiculadas. Entre elas, destacam-se:

“Kombi era motel na escolinha do sexo” – Notícias Populares;

“Perua escolar carregava crianças para orgia” – O Estado de S. Paulo

“Uma escola de horrores” – Revista Veja

As vítimas entraram com ações de indenização social contra o governo do Estado de São Paulo e os órgãos da imprensa que veicularam as falsas acusações. Porém, o casal Shimada morreu sem ter acesso às indenizações desejadas: Maria faleceu de câncer em 2007, e Icushiro de infarto no miocárdio, sete anos depois.

20 anos depois

Paula Milhin, ex-sócia da Escola Base, compareceu ao evento e prestou um depoimento comovente sobre a transformação que a falta de profissionalismo da polícia e do jornalismo causou em sua vida.

“Eu era jovem, tinha sonhos, e de repente, foi um pesadelo que até hoje me persegue. E até hoje também não entendo como isso aconteceu. O que eu sei é que foi uma série de erros dos veículos de comunicação e da polícia. Abusos da polícia seguiram-se para que eu confessasse, e o que eu posso fazer para me recuperar? Nada. Ainda não recebi minha indenização, e tenho que pensar que Deus tem um propósito pra minha vida, senão eu simplesmente me jogaria de um prédio. Alguns dias, é difícil viver”, relatou Paula.

Para Emílio Coutinho, o interesse veio pelo fato de que, mesmo após todos esses anos, o caso Escola Base ainda gera repercussões nas vidas das pessoas: “O pior mal dos jornalistas é a falta de ética e apuração, muitas vezes motivada pela pressa em publicar, em conseguir o furo – e isso às vezes é culpa do próprio veículo que cobra do profissional sempre as melhores notícias em primeira mão”.

O jornalista também realizou visitas às redações dos jornais que veicularam notícias relacionadas ao caso, descobrindo também, durante suas pesquisas, que algumas emissoras de TV chegaram a destruir materiais que poderiam comprometê-las. “A essência do jornalismo é investigativa: o profissional sempre deve apurar o que lhe é passado, verificar referências e buscar a verdade”, afirmou Emílio.

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