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Mãe lamenta declarações de delegado sobre portadores de síndrome Down

Por ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

Graças ao vídeo veiculado no último domingo (2), a questão do preconceito envolvendo pessoas com síndromes, deficiências e Transtorno Globais de Desenvolvimento (TGD) voltou à tona nas discussões do Estado. Na gravação, o delegado Henrique Peviane surge falando sobre crianças portadoras da síndrome de Down, e afirmando que essas crianças portadoras da síndrome são “ETs” que surgiram após o cruzamento de seres espaciais com macacas.

Seguiram-se diversas notas à divulgação, incluindo nota de esclarecimento de Carlos Flávio Portela, secretário estadual de Polícia Civil, e uma nota de repúdio assinada por diversos órgãos e entidades ligados à segurança e à proteção ao menor.

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Em entrevista concedida ao site G1 Acre, o delegado disse estar arrependido do vídeo, justificando que tudo não passava de uma brincadeira de 1º de abril, dia da mentira. No texto, Henrique afirma que “jamais quis denegrir a imagem”, e que o carinho dele por um portador de síndrome de Down é “muito grande”.

Brincadeira ou não, a declaração mexeu principalmente com os pais, parentes e amigos de pessoas com síndrome de Down, pois externou um preconceito vindo diretamente de alguém ligado a um serviço que deve prezar pelo bem-estar e pela igualdade de tratamento de todos os cidadãos.

Para a maquiadora Andrea Moraes, em Rio Branco, mãe de uma recém-nascida diagnosticada com síndrome de Down, falta discernimento e o mais importante: conhecimento através da informação. Batizada de Liza Helena Moraes, a filha de Andrea, nascida em 15 de março deste ano, ainda não conseguiu deixar a maternidade para retornar ao lar devido a alguns problemas de saúde, que incluem problema cardíaco congênito e lesão cerebral.

“Como ela veio de um parto prematuro, quando eu estava com apenas oito meses, sofri algumas complicações, mas tudo deu certo e agora ela está se recuperando na maternidade. Foi uma surpresa quando me informaram que ela possuía a síndrome, mas em nenhum momento isso diminuiu o amor que tenho pela minha filha. Muitos pensam que trata-se de um fardo, mas pra mim é o contrário: minha filha é um presente”, destacou.

E sobre a gravação de Henrique Paviane, Andrea acredita que, por mais que existam diversos preconceitos desnecessários, o que sempre prevalece é a compaixão sobre os Henriques Pavianes da sociedade: “Eu não vi muito como ‘brincadeira’, mas é de ficar triste, né? Uma pessoa que está ali para fazer prevalecer o direito do cidadão, falar uma coisa dessas… Fico apreensiva ao pensar sobre o mundo que minha filha irá enfrentar, mas sempre estarei ao lado dela, pro que der e vier”.

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