Em entrevista à ContilNet, Marcelo Bimbi revela se deseja entrar na política e conta que escolheu casa nova por lembrar o Acre

RIO DE JANEIRO- A vida do acreano Marcelo Bimbi sofreu uma reviravolta após participação no reality show ‘A Fazenda’, veiculado pela rede Record TV. Mais maduro, o ex-peão largou a vida frenética de trabalhos e a cobertura na Barra da Tijuca, bairro nobre da Zona Oeste do Rio de Janeiro, pela calmaria de Guaratiba, lugar cercado por paisagens naturais localizado também na Zona Oeste.

O ator e modelo recebeu uma equipe de reportagem da ContilNet Notícias em sua mansão para uma conversa descontraída. Antes da entrevista, uma revelação: Marcelo conta que escolheu a casa nova por lembrar sua terra natal. “Aqui, de noite, a gente escuta o som dos grilos, e acorda com o cantar dos passarinhos”.

Seu hobby preferido? Uma rede que fica na varanda. “Não tem coisa melhor: ficar aqui apreciando essa vista incrível”. O modelo não está exagerando: Guaratiba está encravada ao pé da Grota Funda, região serrana que faz limite com o Recreio dos Bandeirantes, um lugar de belas trilhas ecológicas com acesso ao Parque Estadual da Pedra Branca.

Jornalista Ton Lindoso em entrevista com Marcelo Bimbi /Foto: ContilNet

Ao receber a equipe da ContilNet Notícias, ele conta que acabara de se despedir de sua namorada, a apresentadora Nicole Bahls. “Por pouco vocês não conhecem ela. Acabou de sair, está indo para o aeroporto, tem uma campanha no Paraná e levou dois dos nossos filhos”, conta aos risos, referindo-se a dois – dos cinco – cachorros de estimação.

A entrevista, que foi realizada por toda a manhã de terça-feira (2), você confere a seguir:

ContilNet: Sua última aparição em rede nacional foi no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Você desfilou justamente em uma escola que homenageou os povos indígenas, uma referência à sua terra e suas origens. Como foi para você?

Bimbi: Foi incrível! Já é o segundo ano que desfilo pela Imperatriz Leopoldinense, mas este ano foi especial, pois sai como destaque representando o índio Rauni. Foi uma das maiores experiências da minha vida. Vim da beira do Rio Acre e ser visto por milhares de pessoas dentro da Marquês de Sapucaí é uma realização que, sinceramente, falta palavras para explicar. Sem dúvidas, uma das experiências mais emocionantes da minha vida

Como foram os preparativos? E como você recebeu o resultado final da escola que você desfilou?

Foram três meses de ensaio e preparação. O bacana é que senti muito essa identificação com meu povo, com o lugar de onde vim. Foram dias muito intensos e me entreguei de corpo e alma; é como se a gente tivesse se preparando para um filme, uma novela. É entrega total. Estava como o índio guardião, guerreiro da floresta. Então eu tinha de dar meu melhor!

Infelizmente as escolas que homenagearam os povos indígenas não foram bem. Dentro desse quesito, samba enredo, todas ficaram com médias entre 8,5 e 9. Fico triste e vejo esse resultado como controverso, pois é parte da nossa história.

Novo lar do casal Bimbi e Bahls /Foto: ContilNet

Foi veiculado na imprensa nos últimos meses que você e Nicole foram cotados para participar do reality de casais Power Couple, da Record TV. O convite aconteceu? Se sim, porque vocês não aceitaram?

O convite aconteceu sim, só que eu decidi ficar um pouco fora da mídia neste momento. A Nicole está na correria de sempre. Ainda assim, a gente tenta conciliar nossos compromissos e fazer alguns trabalhos. No momento, acho que não seria propício aceitar o convite. Temos pensado muito em nossas vidas e estamos em um momento de construção familiar, pensando no que queremos ser daqui há algum tempo. Tem também o fato de eu ter acabado de sair de um reality. Se tivesse ido emendaria dois, em menos de um ano. Seria bem complicado.

Você falou em construção familiar. Quer falar mais sobre isso conosco?

Então, isso é algo que eu não esperava. Desde que sai da Fazenda, não fiquei nem um mês solteiro. E, posso te confessar uma coisa? Eu estou me surpreendendo positivamente e curtindo muito tudo isso. Acho que se você não tiver ao seu lado alguém que queira crescer junto com você, você não chega a lugar algum. Estrutura familiar é tudo. Passei 30 anos na minha vida de solteiro. Claro que não deixei de curtir minha vida, mas agora posso dizer que encontrei uma pessoa que sonha junto comigo. Para mim, hoje eu sou realizado nessa área [afetiva].

Vocês estão casados? Como está a vida de vocês?

A gente tá (sic) junto. Mudamos para esta casa há pouco mais de 3 meses; estamos em fase de construção, como falei para vocês. Compramos um lote de terras neste condomínio mesmo e queremos construir nossa própria casa; a Nicole tem um ótimo gosto. Essa [casa]aqui, compramos feita; queremos construir a nossa do nosso jeito. Temos 5 cachorros, 3 estão comigo e dois foram com ela para o Paraná. Eu tenho meus compromissos no Acre e não abro mão. Todo mês tem o futebol solidário que vocês conhecem. Arrecadamos por mês cerca de 80 cestas básicas. Contudo, depois que minha vó faleceu dei uma parada.

Porque decidiu parar? Como ficou sabendo da notícia da morte de sua avó e como reagiu?

Confesso que não sei o que aconteceu [com relação a ter parado]. Recebi uma ligação do meu irmão, dizendo que ela tinha falecido. Na mesma hora, já fui para o aeroporto, comprei a primeira passagem para o Acre e peguei o voo. Foi a última vez que fui para o Acre. Mas tenho planos de ir ainda este mês.

Vamos falar de política: o que você está achando dos últimos acontecimentos? Acha que o país vai melhorar?

Politicamente, acho que a gente está numa fase de mudanças. Acho que a gente está conseguindo se livrar de muita coisa ruim. Estávamos chegando em uma fase onde todos os caminhos pareciam impossíveis. Quase uma Cuba, uma Venezuela. Não sei se as pessoas enxergam assim, mas eu enxergo; é uma opinião minha. Mas ainda bem que o povo reagiu. Acho que, nesse momento, a economia está crescendo. Depois dessas delações todas, muita coisa vai melhorar.

As pessoas dizem que estamos no meio de uma crise. Posso te confessar uma coisa? Eu não acredito nisso. Você vai no aeroporto, as passagens estão custando um absurdo, mas as aeronaves estão lotadas e não há vagas; eu vou em um restaurante da Barra da Tijuca, por exemplo, que custa cerca de R$ 700 por jantar, eu preciso colocar meu nome em uma fila de espera.

Quando eu vou ao shopping, preciso enfrentar filas, tanto nos caixas das lojas como também nos estacionamentos. Isso é crise? Para mim, não é. Eu coloco um apartamento por um preço médio de R$ 2 milhões e os compradores fazem fila. Isso não é crise. Acho que a mídia distorce muito os fatos. O país não está quebrado. Tem dinheiro, só falta um bom administrador para gerir esse dinheiro.

Você é a favor que, nesta altura do campeonato, seja feita uma nova eleição com novos candidatos?

Daqui a dois anos, a gente já vai ter eleição de novo. Uma eleição agora, geraria novos gastos, novos ‘rombos’. Mais confusão, mais feriados. Como um país pode crescer assim? Feriado significa portas fechadas para quem é comerciante, por exemplo. E aí? No fim do mês, eles têm que pagar as contas. Então é complicado.

Bimbi afirma que a suposto “crise” instaurada no Brasil é um problema de gestão na verdade /Foto: ContilNet

Você tem planos de entrar na política? Se sim, por quê?

Sim. Sabe porquê? Porque meu pai, quando em vida, ele não era político, mas fazia política. Vou te explicar: ele ajudava o povo, se doava. Ele não tirava de casa para dar a quem estava na rua, mas o que sobrava ele fazia questão de compartilhar.

Eu não quero fazer política para ficar rico; se eu quiser ficar rico, continuo a fazer o que estou fazendo. Vocês sabem o quanto custa uma campanha publicitária, por exemplo. Posso ganhar com uma única campanha o salário que um deputado recebe em um mês. Mas eu quero ajudar as pessoas, sinto isso dentro de mim. Já passei por muitas dificuldades e estar onde estou, para mim, é gratificante. Já passei fome, tive que vender coisas; sei que, estando lá, poderei ajudar.

Você passou dificuldades no Acre mesmo ou depois que se mudou? Qual foi o momento mais difícil?

Quando meu pai morreu, foi muito difícil. Eu lembro que, quando eu recebi um convite para um teste em Manaus, para integrar um time de futebol, eu não tinha R$ 150, que era o preço da passagem. Não tinha. Pedimos a muita gente, muitos políticos, mas nenhum ajudou. A gente teve que vender umas bebidas que meu pai tinha [Estevão Bimbi era colecionador] e também vendi umas roupas minhas.

Em Manaus, também sofri bastante. Era muito complicado viver com a mesada de R$ 100 que minha mãe mandava. Como sobrevive assim? Eu me virava. Hoje tenho contas a pagar, tenho problemas; mas agradeço a Deus e sou feliz. Consegui tudo que tenho lutando e trabalhando.

Sente que essa experiência pode te ajudar em uma possível vida política? Como?

É por causa dessa experiência que eu me sinto apto a ajudar as pessoas. Dinheiro não vai me corromper. E outra: ser político é dor de cabeça. Para você querer uma vida dessas, tem que amar. Eu ajudo muita gente: de tempos em tempos a Nicole e eu separamos malas e malas de roupas, por exemplo, para doar. Muita gente procura a gente para pedir ajuda. E eu quero ajudar.

Para finalizar: quais são os seus planos para 2017?

Entro em cartaz em breve com a peça “Sexo, etc e tal”, em São Paulo. A gente vai abordar o sexo, com pontos cotidianos, mas não de uma forma vulgar. Através de situações, vamos mostrar algumas coisas que acontecem, claro, tudo com veia humorística. É uma delícia de assistir. Teremos demonstração e interação com o público. Tenho certeza que todo mundo vai gostar.

“Agradeço a Deus e sou feliz”, disse Bimbi/Foto: Arquivo Pessoal

Depois de São Paulo, vamos começar com a turnê da peça pelo país. Ainda não tenho muita informação sobre isso, mas à medida que formos caminhando, todo mundo vai ficar sabendo. Depois disso, tem a temporada de testes nas emissoras de TV. E, claro, os compromissos no meu Estado que não podem faltar.

PUBLICIDADE