A data de 31 de maio é nacionalmente marcada como o Dia Mundial da Luta contra o Tabaco. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), por meio de dados obtidos em pesquisas realizadas no ano de 2016, é de que, no Brasil, 200 mil mortes anuais são causadas pelo tabagismo. Hoje, 19,8% da população brasileira com mais de 15 anos é fumante, desde o ano passado. Os homens apresentaram prevalências mais elevadas de fumantes do que as mulheres.
A partir de casos já apurados e registrados, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou em 2015 que o Acre foi considerado o segundo Estado com maior número de fumantes do país. Nada menos que 18,8% da população fuma. O Paraná vem em seguida com 18,1% de habitantes que fazem uso do tabaco. O terceiro é Mato Grosso do Sul, com 17,8%.

Em Rio Branco, também no ano de 2016, levantamentos feitos pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) deram conta de que em 2014 a frequência de homens fumantes na Capital acreana foi de 16.172 (15%) e em mulheres 5.881 (5%). Uma nova atualização dos dados ainda não foi realizada atualmente.
As principais causas de morte relacionadas ao tabaco são as doenças cardiovasculares, o câncer de pulmão e a DPOC (enfisema e bronquite cônica). O Dia Mundial da Luta contra o Tabaco foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987. A edição deste ano, idealizada pelo Inca, tem como tema: “Tabaco – uma ameaça para o desenvolvimento”.
Com exclusividade para a ContilNet, a jornalista Maria Angélica Paiva falou sobre a luta contra o vício de mais de 20 anos, os desafios e benefícios da ‘libertação’ do cigarro.

Angélica fez uso do cigarro por mais de 20 anos /Foto: Reprodução
Confira a entrevista:
ContilNet: Por quanto tempo você fez uso do cigarro?
Angélica: Por mais de 20 anos
ContilNet: O que falava ou pensava quando as pessoas alertavam a respeito dos males causados pelo cigarro?
Angélica: Apelava para o meu livre arbítrio. Lembro que uma vez paramos para gravar e eu aproveitei para acender um cigarro. Aí o Edu (Eduardo Silva), repórter cinematográfico, falou – ‘Quando você morrer, irei no teu velório e direi: lá vai minha amiga com o pulmão preto’. Respondi: ‘Quando você morrer, direi no teu velório, lá vai meu amigo com o pulmão bem limpinho’. Era assim. Levava a pagode, porque entendia que com cigarro ou sem ele, vamos todos morrer.
ContilNet: O cigarro, de alguma forma, prejudicava alguma área da sua vida? Percebeu alguma complicação em sua saúde, devido ao uso excessivo?
Angélica: Não, nunca me senti prejudicada.
ContilNet: Quando decidiu parar de fumar e o que te mobilizou para isso?
Angélica: O cheiro [gargalhada]! Um amigo me disse: ‘O que adianta usar J’adore e cheirar a cigarro’. Foi fatal!
ContilNet: Como foi o processo? Quais foram as dificuldades?
Angélica: Decidi parar e postei a intenção na minha página no Facebook. Imediatamente recebi inúmeras mensagens de apoio e solidariedade. Eu iniciei diminuindo um cigarro por dia.
ContilNet: Fez uso de algum medicamento ou terapia intensiva?
Angélica: Não. Nenhum medicamento. Recebi orientação da minha amiga Rose Lima, jornalista. Ela me ensinou a adiar por meia hora o primeiro cigarro do dia. Segui direitinho. Eu acendia um cigarro ao acordar às 6h. Então, no primeiro dia acendi às 6h30, no dia seguinte às 7h, depois às 7h30, e assim sucessivamente.
Até que um dia eu estava no fumódromo da TV Gazeta [local de trabalho] e percebi que iria acender meu primeiro cigarro do dia às 16h. Dei umas três tragadas e já não gostei tanto. Joguei fora e nunca mais acendi nenhum cigarro.
“Agora eu cheiro a sabonete e perfume”, brincou a jornalista /Foto: Reprodução
ContilNet: Alguma coisa foi utilizada como suporte por você para continuar lutando?
Angélica: O cheiro [gargalhada]! Quando passo perto de alguém que fuma e sinto o cheiro do cigarro penso que também já exalei esse mau cheiro e não quero mais andar espalhando cheiro ruim por aí.
ContilNet: Qual a diferença da Angélica de hoje para a de antes, que era fumante?
Angélica: O cheiro [gargalhada]! Agora eu cheiro a sabonete e perfume. Antes, cheirava a cigarro. Dizem que minha aparência está mais saudável. Não sei…
ContilNet: Ainda sente falta do uso? Se sim, como faz para superar?
Angélica: De vez em quando sinto, sim. Chego a sonhar que estou fumando e no sonho é tão bom! Para vencer a tentação lembro do mau cheiro [risos].
ContilNet: O que pode, inicialmente, aconselhar para as pessoas que desejam parar de fumar?
Angélica: O método Rose. Esse de adiar por meia hora o primeiro cigarro do dia. Porque a cada dia vai acender mais tarde, até que passa o dia todo sem fumar. Vai espaçando os cigarros. Porque essa história de cortar de uma vez só, é mais difícil. Provoca crise de abstinência e a volta ao vício é mais fácil.
Ao final da conversa, além dos agradecimentos, Paiva disse se sentir uma outra mulher e finalizou com a seguinte mensagem para o público fumante:
“Aquiete sua mente. Seja feliz. Não brigue com você mesmo. Cada coisa tem seu próprio tempo. O desejo vai provocar ansiedade. Se houver intenção de parar, tem que começar por dentro, com a conscientização. Nunca por pressão externa. O processo de parar não deve ser traumático, deve apenas fluir. Contudo, se por acaso, cair em tentação, não se preocupe, volte ao início quantas vezes for necessário. Boa sorte!”
Angélica é mãe de 3 filhos, formada em História e em Ciência Política, mestre e jornalista profissional há 24 anos.

