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Mãe acreana prova que é possível conciliar os anseios profissionais com os cuidados maternos

Por ASTORIGE CARNEIRO, DE CONTILNET

Mesmo vivendo no século XXI, sabemos que os desafios para o reconhecimento feminino ainda existem. E quando estas mulheres se tornam mães, ainda existe o pensamento retrógrado que desassocia uma profissional de qualidade com uma mãe que cumpre exemplarmente suas funções.

Em postagem publicada pela mineira Vic Tavares, é possível ter uma noção desse preconceito que, infelizmente, ainda assola não só o Brasil, como vários outros países onde a mulher está inserida (e avança cada vez mais) no mercado de trabalho.

“Ele é a razão pelo qual não desisti e não desistirei”, diz Elisa sobre o filho Pedro/Foto:ArquivoPessoal

A postagem, que já atingiu mais de 15 mil compartilhamentos, ainda denota uma triste realidade para quem precisa de renda para ajudar nas despesas de casa, que incluem os cuidados com os filhos, que não são poucos: fraldas, alimentação, escola ou creche, roupas… Sempre há uma necessidade para mães e filhos suprirem.

Mais do que destacar um preconceito, esse tipo de situação também atinge diretamente os direitos legais das mulheres que são mães: a Lei nº 9.029/95 estabelece claramente que é proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivos que incluem sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, entre outros.

Pedro, no bebê-conforto, acompanha a mãe na escola desde os cinco meses de idade/Foto:ArquivoPessoal

Mãe e mestranda

Funcionária da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre), Elisa Mara Braga é bacharel em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Acre (Ufac), e segue na carreira acadêmica cursando o mestrado de Vigilância em Saúde, oferecido pela mesma universidade.

“Na primeira aula do curso, logo cedo pela manhã fiz um teste de farmácia e descobri que estava grávida. Foi um mix de emoções: ansiedade, medo e, principalmente, felicidade. Saber que estava evoluindo em minha vida profissional e familiar ao mesmo tempo não tinha preço. Foi e está sendo uma trajetória bem incomum”, disse Elisa.

Durante a gestação, que não apresentou riscos ou problemas de saúde para Elisa, os pensamentos variavam entre os cálculos de estatística do mestrado e a lista para compras do enxoval: “Quando ele nasceu, tive que me recuperar de uma cesariana que não estava prevista, mas com apoio da minha família, consegui ir me adequando a este novo desafio. Além da minha profissão e do meu marido, agora tenho outro motivo de alegria e atenção”.

Batizado de Pedro, o bebê nasceu em dezembro do ano passado. Com apenas cinco meses, já acompanha a mãe nas últimas aulas presenciais do mestrado, que está programado para conclusão em março de 2018, quando a mestranda deverá submeter a defesa de sua dissertação.

“Ele é a razão pelo qual não desisti e não desistirei”/Foto:ArquivoPessoal

“Na aula, tento entretê-lo da melhor forma possível sem atrapalhar meus colegas e a aula. Pretendo concluir o curso dentro das minhas licenças para não acumular maternidade, estudos e trabalho. Quero estar focada e poder devolver à minha instituição e aos meus gestores todo o ensino adquirido neste mestrado, contribuindo ao máximo com a atual gestão e as vindouras”, destacou Elisa.

Investimento

Mesmo com a rotina previamente agendada, imprevistos sempre acontecem. Tendo noção de que seria relativamente menos estressante ser mãe em tempo integral, Elisa afirma que é um sacrifício para o futuro de seu filho, além de ser algo que ela, em seu papel de mulher e profissional, também almeja.

A razão para esse esforço? Como afirma a jovem mãe, funcionária pública e mestranda, é Pedro: “Ele é a razão pelo qual não desisti e não desistirei – nem de estudar, nem de trabalhar. É a garantia de conforto e de uma educação melhor. Não sou a primeira nem serei a última mamãe a levar o filho para uma aula. Se pudesse voltar atrás faria tudo novamente. Com uma mão escreveria em meu caderno e com a outra acariciaria minha barriga mais vez”.

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