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Exploração mineral no Vale do Juruá: “E se descobriram algo mais valioso que ouro?”

Por JORGE NATAL, DE CRUZEIRO DO SUL PARA CONTILNET

Engenheiro ambiental e químico Jorge Leite da Silva /Foto: ContilNet

O engenheiro ambiental e químico Jorge Leite da Silva desconfia que existam “interesses nebulosos” por trás da possível exploração de minérios no Vale do Juruá. Ele suspeita que a empresa Georadar, responsável por estudos sobre prospecção de petróleo e gás natural na região, possa ter repassado informações sigilosas para empresas de minerarão.

“E se tiverem descoberto o nióbio? vamos permitir a exploração?”, questiona ele, para quem o subsolo da região é rico em minérios. “Existem fortes indícios de crimes porque estão passando por cima de todas as leis ambientais”, disse o engenheiro, afirmando que a exploração é um acinte à sociedade.

A preocupação do especialista é a mesma de dezenas de representantes da sociedade civil, que participaram de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Cruzeiros do Sul, na manhã desta sexta-feira (23).

A possível concessão de 42 mil hectares, área maior do que 46 países, também é questionada pela representante da comissão Missionária Indigenista (Cimi), Ivanilda Torres dos Santos. “Essa área atinge as terras dos povos Jaminawas-Arara e Puyanawa”, informou a ativista. Outro crítico da exploração é o representante da Associação dos Amigos das Águas do Juruá (Amaj), Romisson Santos. “Como o poder público permite uma exploração sem ouvir a sociedade?”, questionou o ambientalista.

“Essa área atinge as terras dos povos Jaminawas-Arara e Puyanawa”, informou Ivanilda dos Santos /Foto: ContilNet

Também presente à audiência, o deputado federal Moisés Diniz (PCdoB) disse que vai cobrar explicações do Ministério das Minas e Energia. “Não sabemos quem está por trás desses possíveis negócios, que agridem o meio ambiente e a economia da nossa região, onde está situado o terceiro maior aquífero do Brasil”, disse o parlamentar, suspeitando que as perfurações e os estudos foram realizados sem a anuência do poder público.

Moisés Diniz (PCdoB) disse que vai cobrar explicações

Outro fato que está mobilizando os juruaenses foi a portaria do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que fechou areais e olarias na região. O advogado dos empresários, Frederico Felipe da Silva, disse que a medida está causando impacto econômico e social. “Precisamos suspender esse ato administrativo”, disse ele, cobrando agilidade do poder público.

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