A 15ª Plenária do Congresso Extraordinário da Central Única dos Trabalhadores (CUT) será realizada nesta quarta-feira (19), no auditório do Sinteac em um dos momentos mais cruciais da sociedade brasileira e história da classe trabalhadora.
As forças conservadoras que promoveram o golpe e tomaram o governo do país através de um “golpe Branco” estão impondo profundas mudanças à sociedade brasileira, através de votações e do servilismo do Congresso Nacional e no Senado que tiraram mais de 100 direitos trabalhistas, apesar dos baixos índices de aceitação do presidente Michel Temer, que se encontra desmoralizado diante das denúncias de corrupção praticadas por ele no exercício do cargo.
Essas mudanças têm origem na grande crise financeira de 2008, que afetou as grandes empresas e a economia mundial, levando vários países à bancarrota, a exemplo da Grécia, de Portugal e da Espanha, dentre outros.
Neste cenário, o trabalhador brasileiro tem que compreender que essas mudanças para pior nas relações de trabalho no Brasil atendem aos interesses de pouco mais das 500 maiores empresas multinacionais que impõem para todas as nações a retirada de direitos da classe trabalhadora e o enfraquecimento das suas representações sindicais.
Neste cenário, austeridade contra os/as trabalhadores/as foi a solução encontrada pelos grandes conglomerados econômicos para garantirem a volta do crescimento econômico mundial, para perpetuar grandes margens de lucros e a exploração do proletariado na onda de retirada de direitos trabalhistas denominada quarta revolução industrial.
O presidente Michel Temer está a serviço das representações do grande empresariado nacional e internacional. Depois que Temer usurpou a presidência, os grupos econômicos passaram a usar a todo vapor – a exemplo do que faziam no passado – a estrutura de Estado a serviço exclusivo do empresariado, em prejuízo das políticas públicas e dos interesses sociais do povo brasileiro.
Rosana Nascimento presidente CUT/Foto:Reprodução
O objetivo destes grupos é suprimir todos os direitos dos trabalhadores assegurados na Constituição Federal e nas leis trabalhistas. A meta é a flexibilização do contrato de trabalho, impor jornadas extenuantes, individualizar as relações de trabalho que são sociais, suprimir os laços dos/as trabalhadores/as com seus sindicatos e acabar com o direito do/a trabalhador/a recorrer à justiça quando tiver seus direitos negados.
Essas são as armas que os capitalistas estão usando para continuarem explorando a população com baixos salários e sem direitos. É a chamada quarta revolução industrial, que tem como objetivo perpetuar a exploração do/a trabalhador/a através da negação de direitos já conquistados.
A meta é tirar a pouca estabilidade no emprego do brasileiro, criando um novo modelo flexível de regulação dos contratos de trabalho. A reforma trabalhista no Brasil ocorreu de forma predatória, construída em uma conjuntura de profunda crise econômica, política e moral.
Neste momento de profunda crise, a CUT compreende que o governo do Michel Temer mantém uma política de total subserviência aos grandes conglomerados econômicos multinacionais. Trata-se de uma política subalterna aos ditames dos países ricos em detrimento da defesa dos interesses da população brasileira.
É uma investida organizada das forças conservadoras contra as conquistas históricas da classe trabalhadora no Brasil e nos países em desenvolvimento de todo o mundo, como forma de conter os avanços e o processo de construção democrática; de conter os avanços nas conquistas dos/as trabalhadores/as de toda a população brasileira, que paga a segunda maior carga tributária do planeta e que cada vez mais é penalizada com serviços públicos de má qualidade. Cada vez mais pagamos caros impostos para recebermos, serviços públicos de saúde, transporte, educação e segurança da pior qualidade.
É neste contexto que a CUT reafirma seu papel de articuladora das lutas dos/as trabalhadores/as, na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, socialmente inclusivo, politicamente democrático e fundamento no direito inalienável dos povos decidirem sobre seu futuro e do país onde vivem.
A CUT compreende que somente com o povo nas ruas com amplos e massivos protestos dos movimentos sociais e sindicais de todos os brasileiros, de todos os/os trabalhadores/os em todos os países afetados, é que se poderá impedir que o grande capital internacional continue pisando na democracia dos países em desenvolvimento e destruído os direitos trabalhistas conquistados a duras lutas.

