Cientista polĂ­tico da Ufac faz duras crĂ­ticas Ă  reforma proposta pelo Congresso

Por JORGE NATAL, DA CONTILNET 20/08/2017 Atualizado: hĂĄ 9 anos

O cientista político e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilson Euclides da Silva, lamenta o fato de que no momento de uma crise aguda no sistema político, ao mesmo tempo em que a democracia brasileira precisa de mecanismo que ampliem a participação do cidadão nos processos de decisão, o Congresso Nacional apresente uma reforma política que fortalece o personalismo e o poder dos grandes partidos.

Na opiniĂŁo dele, pontos da proposta como o a lista fechada pode fortalecer os partidos, mas estĂĄ sendo pensada em um ambiente em que esses partidos estĂŁo sendo dirigidos por lĂ­deres que apostam no “caciquismo partidĂĄrio” como forma de manter o controle sobre os cargos e a influĂȘncia na polĂ­tica regional e nacional.

O professor reitera o seu apoio à operação Lava Jato, mas lamenta a seletividade em algumas fases da operação, o que, segundo ele, tem alimentado o clima de intolerùncia e radicalismo político no país.

Afirma que os responsĂĄveis pelas investigaçÔes [MPF e PolĂ­cia Federal] e, principalmente o judiciĂĄrio, precisam usar inteligĂȘncia, sabedoria na condução do processo e na divulgação de informaçÔes. “É preciso ter responsabilidade com a verdade, mas tambĂ©m sensibilidade com o momento polĂ­tico, principalmente neutralidade ideolĂłgica”, observa ele.

Neslon Euclides

Cientista polĂ­tico e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Nilson Euclides da Silva/Foto: Jorge Natal/ContilNet

Aprovar uma reforma polĂ­tica em um momento tĂŁo importante da histĂłria do paĂ­s, de acordo com ele, Ă© algo que tem de ir muito alĂ©m dos interesses pessoais ou de grupos polĂ­tico que querem a permanĂȘncia no poder.

A proposta do “distritĂŁo”, a seu ver, Ă© adotar o sistema majoritĂĄrio, o que a mĂ©dio prazo irĂĄ fortalecer os partidos tradicionais e retirar das minorias a capacidade de representação. “Tudo isto dentro de um sistema partidĂĄrio e eleitoral carcomido pelo personalismo polĂ­tico e a corrupção em grande parte produzida pela relação incestuosa dos grandes partidos com os interesses de grandes empresas”, acrescenta o professor.

Em relação ao financiamento pĂșblico de campanha, Silva Ă© favor porque “a democracia custa caro”, alĂ©m de que a sociedade como um todo tem a responsabilidade de assumir esse custo financeiro, mas o preço a ser pago para se manter o regime nĂŁo pode ser baseado na injustiça, desigualdade ou em interesses particulares e de grupos.

“Os interesses republicanos devem prevalecer sobre quaisquer outros, e, portanto, falar em um montante de 3,5 bilhĂ”es para financiamento de campanha atrelado a uma reforma polĂ­tica como a que estĂĄ sendo apresentada pelo congresso Ă© imoral para dizer o mĂ­nimo”.

Para o cientista polĂ­tico, o comportamento Ă©tico, associado ao espĂ­rito pĂșblico dos representantes e do cidadĂŁo comum, levarĂĄ naturalmente a um ambiente polĂ­tico de rigoroso respeito Ă s leis, Ă  defesa das liberdades e aos direitos individuais e coletivos. “Institucionalmente significa um comportamento correto e independente dos poderes constituĂ­dos. Infelizmente Ă© o que nĂŁo vem ocorrendo no paĂ­s”, finalizou Nilson Euclides.

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