O delegado titular da Delegacia da Mulher e de Proteção à Criança e ao Adolescente de Cruzeiro do Sul, José Luís Tonini, procurou a reportagem para responder às declarações do deputado federal Major Rocha (PSDB) sobre o imbróglio envolvendo policiais civis e militares do município do Bujari. Para Tonini, Rocha foi “leviano e irresponsável” ao comentar o caso.
“Ele está tentando politizar uma questão que deveria ficar restrita às associações das polícias Civil e Militar”, afirmou ele.
Tonini se refere ao episódio da prisão do professor Manoel Ferreira de Abreu, ocorrido na última quarta-feira (26), no município do Bujari. Acusado de furto de energia pelo delegado Pedro Resende, Abreu foi preso e em seguida resgatado de dentro da delegacia por policiais militares.

Delegado titular da Delegacia da Mulher e de Proteção à Criança e ao Adolescente de Cruzeiro do Sul, José Luís Tonini/Foto: reprodução.
A Adepol (Associação dos Delegados de Polícia) emitiu nota na qual acusa os militares de usarem “força bélica e estrutura do estado para defender interesses pessoais e criminosos”. O texto faz referência ainda à “fraude processual” – uma vez que as provas contra o acusado teriam sido destruídas – além de comparar a ação dos PMs às práticas perpetradas pelas milícias.
Rocha visitou o professor no hospital, onde ele se recupera das lesões decorridas de sua resistência à prisão. Logo depois o tucano emitiu nota em que acusa a Adepol de defender a suposta truculência do delegado Pedro Resende e tentar “manchar a boa imagem dos policiais militares do Acre usando termos pejorativos como criminoso e milícia”.
Para Tonini, o problema entre as polícias Civil e Militar foi localizado ao Bujari, mas a partir do momento em que “um deputado federal eleito para representar o povo se manifesta de forma desrespeitosa, irresponsável e leviana, querendo ofender a categoria dos delegados de polícia, ele acaba por acirrar o embate”.
“Ao mesmo tempo em que faz a defesa do Polícia Militar, o deputado incorre no erro de depreciar não só a categoria dos delegados, mas a própria Polícia Civil”, argumenta.
Tonini acrescenta que Rocha deveria agir com diplomacia, no sentido de buscar a harmonia e a conciliação entre os envolvidos no episódio do Bujari.
Sobre a referência do deputado a uma pesquisa feita em 2013, que colocou a PM do Acre no topo do ranking das mais honestas do país, o delegado afirma que o reconhecimento foi “honrosamente merecido”. E lembra que a Polícia Civil do Estado também se destaca, segundo outro levantamento feito em todas as unidades da Federação, como a mais eficiente na elucidação de crimes contra a vida.
“Ambas são instituições democraticamente constituídas e eficientes do ponto de vista da Segurança Pública”, pontua.
Tonini descarta a possibilidade de que o imbróglio venha a prejudicar o trabalho conjunto feito por agentes das duas instituições no combate ao crime organizado. Mas receia que em pontos específicos alguns atritos possam ocorrer.
Em relação à nota emitida pelo comandante da Polícia Militar do Acre, coronel Júlio César, o delegado afirmou ter havido “apropriada demonstração de equilíbrio e bom senso” por parte dele.
