Morre aos 104 anos, Mário Diogo de Melo, pai do presidente do Banco da Amazônia

Morreu na madrugada desta segunda-feira (14), o senhor Mario Diogo de Melo, pai do presidente do Banco da Amazônia, Marivaldo Melo. Mário Diogo foi ex-prefeito de Boca do Acre (AM) e morreu aos 104 anos em Manaus, onde residia atualmente. A morte dele foi comunicada pelo filho. O velório acontece em Manaus e seu sepultamento será em Boca do Acre, sua terra natal.

“Comunico a passagem do meu pai Mario Diogo de Melo para o descanso celestial. Somos muito gratos a Deus por ter tido o privilégio de tê-lo ao nosso lado nos seus 104 anos em uma vida de amor e retidão. Enfim, cumpriu sua missão, escreveu livros de sua história, da sua amada Boca do Acre, de poesias e de suas convicções políticas, deixou para os filhos e as próximas gerações sua contribuição para uma sociedade melhor. Seu enterro será em Boca do Acre e aqui em Manaus o velório será na Assembleia Legislativa do Amazonas”, escreveu Marivaldo.

Mario Diogo de Melo, pai do presidente do Banco da Amazônia, Marivaldo Melo

Sobre Mário Diogo de Melo

Mário Diogo nasceu em 1913, não teve formação educacional formal. Autodidata, teve os primeiros passos no mundo da leitura e da escrita ensinados pela mãe, que também atuou como professora para as outras crianças da comunidade onde residiam.

Ele começou a participar da vida pública ainda na ditadura de Getúlio Vargas. Entrou na política por conta de uma ação contra o então prefeito Luiz Alves do Bonfim e contra o delegado de polícia Otávio Monteiro. Pois, segundo Mário Diogo, essas autoridades praticavam atos de violência física e moral contra os seringueiros da região de Boca do Acre. As denúncias desaguaram na demissão do prefeito e do delegado.

Em seguida, ele assumiu o lugar do prefeito demitido, sendo nomeado em comissão pelo governador do Amazonas na época, Leopoldo Amorim da Silva Neves, o “Pudico”. Entretanto, a nomeação não foi aceita pelos partidários do prefeito demitido, que chegaram a ameaçá-lo de morte na véspera de natal, em 1947.

Seu exercício à frente da prefeitura de Boca do Acre durou poucos meses. Ao final do mandato, Mário deu posse ao novo prefeito, José Cunha e Silva, em 1948, que posteriormente foi cassado pela Câmara de Vereadores em agosto do mesmo ano, sendo o primeiro e único prefeito da história de Boca do Acre deposto pelo legislativo.

Com a deposição do prefeito, houve novo pleito, no qual Mário Diogo foi candidato e venceu com 80% dos votos. Ele assumiu a prefeitura de Boca do Acre no dia 21 de janeiro de 1950, ocasião em que governou Boca do Acre por dois anos. Mário relata que quando assumiu a prefeitura, Boca do Acre não tinha energia elétrica, sendo esse um compromisso de campanha que era motivo de zombaria dos rivais e até mesmo dos aliados. Contudo, no dia 7 de setembro do mesmo ano, ele inaugurou a primeira usina de energia elétrica do município, fato que foi reconhecido pela população que carregou Mário Diogo nos braços.

Ele ainda instituiu o ensino público em Boca do Acre, construindo a extinta escola municipal Álvaro Maia. Depois de ter sido prefeito, Mário Diogo candidatou-se a vereador e foi eleito no ano de 1952. Depois da carreira legislativa municipal, foi candidato a deputado estadual e eleito por dois mandatos consecutivos. Em seguida foi eleito deputado estadual em 1954, ficando à frente nas urnas do deputado Danilo Corrêa, pessoa que anos mais tarde viria se tornar amigo e homenageado.

Em 1968, Mário Diogo foi candidato à prefeitura de Boca do Acre, onde antes venceu uma disputa interna no partido ARENA, contra Moisés Pantoja. Sendo vencedor dentro do partido, Mário Diogo foi candidato único e veio a se tornar mais uma vez prefeito de Boca do Acre. Nesse mandato, Mário Diogo relata que realizou várias obras, tais como: abertura e calçamento de ruas, a exemplo das Avenidas Alexandre de Oliveira Lima (Barão de Boca do Acre) e João Gabriel (descobridor do município e tio de Mário Diogo).

Além disso, escreveu 4 livros, que são: “Do Sertão Cearense às Barrancas do Acre” (que ele considera o escrito mais completo), em seguida veio o livro “Boca do Acre. Seus povoadores” (uma continuação do primeiro), o terceiro foi “Memórias” e o último é “Cenários de Fantasias”, um livro de poesias que inclusive consta a produção denominada “Uirapuru” que foi premiada em Brasília. O político recebeu o título de cidadão de Sena Madureira e Cidadão Acreano.

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