Morre senador boliviano Roger Pinto Molina, exilado político que vivia há 4 anos no Brasil

O senador boliviano que pediu asilo político no Brasil, Roger Pinto Molina estava pilotando um avião no interior de Goiás e acabou sofrendo um acidente aéreo e faleceu na madrugada desta quarta-feira(16). O anúncio foi feito pelo senador Sérgio Petecão (PSD) por meio de sua página nas redes sociais. Molina nasceu em 23 de abril de 1960, sua trajetória pela vida pública o consagrou como um dos políticos mais importantes da Bolívia, onde foi eleito deputado federal e por duas vezes senador.

O senador boliviano que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital de Base de Brasília apresentava estado delicado com traumatismo craniano e torácico grave. Precisando de aparelhos para respirar, o senador não resistiu aos graves ferimentos e acabou falecendo.

Destroços da aeronave que levava Roger Molina /Foto: Reprodução

De acordo com o Corpo de Bombeiros que fez o resgate, o avião caiu logo após a decolagem, nas proximidades da pista. Durante o acidente não houve fogo e muito menos explosões após a queda. As causas do acidente ainda serão investigadas.

Perseguido politicamente por exercer o papel de oposição ferrenha ao governo de Evo Morales, Roger Molina teve que pedir refúgio no Brasil. Contra as decisões da presidente Dilma Rousseff uma equipe da embaixada brasileira trouxe o senador boliviano para o Brasil. O senador Sérgio Petecão sabendo da situação tratou de abrigá-lo em seu apartamento em Brasília para que não fosse extraditado e conseguisse regularizar sua situação.

História política do senador Roger Molina (Wikipédia – Google)

Roger Pinto Molina nasceu em Santa Rosa, Beni, Bolívia no dia 23 de abril de 1960.

Pinto Molina foi eleito para a Câmara dos Deputados em 1997, como único representante do eleitorado 67 em Pando (cobrindo as áreas das províncias de Nicolás Suáres, Manuripi e General Federico Román) como candidato da Ação Democrática Nacionalista (ADN). Seu concorrente era Edgar Balcázar Velasco. Molina também havia sido prefeito de Pando.

Em 2002, Roger Pinto foi diretor da Igreja Batista, assistente técnico do Banco Central da Bolívia, presidente da Cooperativa Telefônica em Cobija, membro da diretoria da Federação das Cooperativas Telefônicas (FECOTEL), presidente do Tribunal Eleitoral de Pando, presidente da Associação de Criadores de Gado em Pando, vereador na cidade de Cobija e secretário executivo regional da ADN.

Senador Roger Molina /Foto: Reprodução

Em 2005, Molina foi eleito para o Senado como candidato do Podemos por Pando. Ele foi líder da bancada do Podemos no Senado e reeleito em 2009, como candidato pelo Plano de Progresso para Bolívia–Convergência Nacional (PPB-CN) concorrendo contra Linda Flor Brasilda Villalobos.

Acusações

Oposicionista ao governo de Evo Morales, Roger Pinto afirma ter tornado-se alvo de perseguição política por parte do governo, em virtude de suas denúncias contra o governador do Estado de Pando, aliado de Morales. Roger entregou ao presidente documentos com denúncias referentes à ligação do governo local com o narcotráfico. Ele alega que após este episódio, Evo passou a persegui-lo; impondo sobre ele acusações de corrupção, desacato e venda de bens públicos. O senador afirma que as acusações não são verdadeiras e foram criadas para justificar a perseguição do governo Morales contra ele.

Equipes de regaste no local onde o avião do senador caiu /Foto: Reprodução

Roger Pinto foi acusado de envolvimento no Massacre de Porvenir, em 11 de setembro de 2008. O governo boliviano acusa Pinto de, durante seu mandato como prefeito de Pando, ter supostamente vendido 22 hectares de terras públicas pela quantia irrisória de 17.515 dólares americanos.

Fuga para o Brasil

Em 28 de maio de 2012, Roger Pinto refugiou-se na sede da missão diplomática brasileira em La Paz. Entrou com um pedido de asilo ao governo brasileiro alegando perseguição política e permaneceu no prédio, a fim de não ser preso pelas autoridades bolivianas.

Após 15 meses como refugiado e depois de ter diversos pedidos de salvo-conduto negados pelo governo boliviano, a situação do senador complicava-se cada vez mais. O diplomata brasileiro Eduardo Saboia, responsável pela missão diplomática brasileira no país, tentou obter maior empenho de Brasília no caso, a fim de buscar uma solução para o impasse. A falta de resposta no decorrer dos meses que se passaram, somada ao decreto de prisão contra Molina, expedido em junho de 2013 pelo Governo Morales, por abandono do dever e dano econômico ao Estado, fizeram com que Saboia tomasse uma atitude arriscada e ousada. O senador boliviano foi retirado de La Paz em um automóvel da embaixada brasileira e levado, sob escolta de fuzileiros navais, até a cidade fronteiriça brasileira de Corumbá; onde foi recepcionado por agentes da Polícia Federal brasileira, que o colocaram em um avião com destino a Brasília. A operação, levada a cabo contra o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), foi conduzida sem a autorização da presidente Dilma Rousseff, aliada de Evo Morales até os dias de hoje.

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