Precisamos redefinir o progresso


Talvez possamos conquistar o verdadeiro progresso baseado no Índice de Progresso Social (IPS)


A expressão “Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil abrevia o lema político positivista inspirado em Augusto Comte. Ironicamente é também o nome de uma agremiação esportiva fundada em 1914 “Ordem e Progresso Futebol Clube”, na cidade de Bom Jesus do Norte no Espirito Santo. Atualmente a ordem deu lugar a desordem social, ética, moral, política e econômica para não falar na segurança, na educação e na saúde. Vamos esquecer, por enquanto, a ordem e refletir sobre o progresso.

Progresso

A palavra progresso tem vários significados: avanço, progressão, evolução, aumento, desenvolvimento, aperfeiçoamento e crescimento. O progresso tem sido entendido como um conceito que indica a existência de um sentido de melhorar a condição humana. Quando usamos como indicadores de progresso o Produto Interno Bruto (PIB), a baixa da inflação, a baixa dos juros podemos dizer que estamos progredindo? Certamente a resposta dos desempregados, dos moradores de rua, dos pobres e dos que passam fome, será não.

Talvez possamos conquistar o verdadeiro progresso baseado no Índice de Progresso Social (IPS) que é uma medida do bem-estar da sociedade, muito diferente do PIB. Esse índice é definido por três dimensões. A primeira se refere as necessidades básicas para a sobrevivência: nutrição, assistência médica básica, água, saneamento, moradia e segurança pessoal. A segunda é o acesso ao conhecimento básico, acesso a informação e comunicação, saúde e bem estar e qualidade ambiental. A terceira é que todos tenham acesso para buscar as suas ambições, seus objetivos e seus sonhos. Para tanto todos terão respeitados seus direitos e liberdade, à tolerância e a inclusão e o acesso à educação avançada.

Segundo o relatório “Índice de Progresso Social 2017” de autoria de Michel E. Porter, Scott Stern e Michael Green, o ranking dos países pelo IPS estão divididos em 5 categorias:

1. Muito alto (14 países);

2. Alto (24 países);

3. Médio alto (21 países);

4. Baixo (52 países) e

5. Muito baixo (7 países).

O grupo 1 é liderado pela Dinamarca seguidos da Finlândia, Noruega Suíça e Canadá. O grupo 2 é liderado pela Bélgica seguidos da Espanha, Japão, Estados Unidos e França. O Brasil ocupa o 43º lugar na categoria 3 precedidos pelas Ilhas Maurício, Panamá, Bulgária e Kuwait. Alguns países da América Latina ocupam uma posição mais destacada que o Brasil nesse ranking: Chile (25º), Uruguai (31º) e Argentina (38º).

Como conquistar o Progresso Social

Segundo a organização Progresso Social Brasil o verdadeiro progresso de uma nação é dela ter a capacidade de satisfazer as necessidades básicas de seu povo e estabelecer a infraestrutura e ferramentas que permitam melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos e comunidades, e de criar um ambiente propício para que todos tenham a oportunidade de atingir o seu plano social. Um modelo de desenvolvimento baseado apenas no desenvolvimento econômico é incompleto. Crescimento econômico sem progresso social resulta em falta de inclusão, indignação, descontentamento e agitação social. É preciso redefinir o progresso.

Para esta redefinição é fundamental uma educação que consolide valores e virtudes e que inclua uma educação ambiental e libertária que não dê espaço ao individualismo, a competição, o consumismo e ao mercado sem regras sociais. Um desenvolvimento tecnológico e econômico, que não deixa um mundo melhor e uma boa qualidade de vida melhor, não pode ser considerada progresso. É preciso que haja um diálogo entre a política e economia para se coloquem ao serviço da vida, especialmente da vida humana. Temos que trabalhar para um progresso social e não ficarmos calados contemplando um retrocesso.

Para que haja um verdadeiro progresso é preciso mudar o pensamento e as atitudes das pessoas. É pertinente lembrar o pensamento de George Bernard Shaw:

“Progresso é impossível sem mudança, e esses que não podem mudar suas mentes não podem mudar coisa nenhuma”.

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