Jorge Viana reprova doação de R$ 792 mil, mas já quis dar presente de R$ 100 bilhões


Foto capa REDAÇÃO CONTILNET

Fiscal do povo 
Integrante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o senador do PT do Acre Jorge Viana criticou a doação de R$ 792 mil pelo governo brasileiro para restauração da Igreja da Natividade, na Cisjordânia.

Cortes vs. caridade
Oficializada com a assinatura de medida provisória pelo presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), no último dia 26, a cessão dos recursos foi criticada pelo parlamentar petista por considerar ‘estranho’ que um governo que corta gastos públicos com saúde, educação e segurança fique ‘fazendo doação de dinheiro, como se estivesse sobrando dinheiro no Brasil’.

Tá certo!
Jorge Viana está certo, ainda que o valor de R$ 792 mil esteja longe, muito longe, dos R$ 100 bilhões que ele tentou, junto com o presidente Michel Temer (MDB), e os colegas Renan Calheiros (MDB-AL) e Marcelo Jucá (MDB-RR), ceder às empresas de telefonia Oi, Vivo, Claro, Algar e Sercomtel, em dezembro de 2016.

Bico fechado
Note o leitor que a imprensa companheira não reproduziu uma linha sequer sobre o episódio, que contou com a intervenção direta de Viana. Nem houve, durante todo esse tempo em que ele concedeu inúmeras entrevistas, nas quais sempre se colocou contra a reforma da Previdência, um só questionamento sobre o paradoxo de estar há 11 anos recebendo pensão de ex-governador.

Manobra
No dia 20 de dezembro de 2016, a revista Veja publicou uma matéria (https://veja.abril.com.br/brasil/stf-e-acionado-contra-lei-da-presente-bilionario-as-teles/) em que atribuía ao senador eleito pelo Acre uma manobra para derrubar recurso impetrado por um grupo de 11 senadores contra a proposta da Mesa Diretora do Senado de doar equipamentos e bens imóveis da União às empresas de telefonia privada.

Pro ralo
Segundo Veja, Viana persuadiu dois senadores do PT, Regina Souza (PI) e Paulo Paim (RS), a retirarem a assinatura do documento. A petista voltou atrás, e além dela, o senador Regufe (à época sem partido-DF) subscreveu o recurso – e a tramoia gestada no governo de Dilma Rousseff e abraçada por Temer, acabou no colo dos ministros do Supremo Tribunal Federal, onde empacou.

Seria cômico, não fosse trágico!
O mais irônico nessa história toda é que o recurso que melou a intenção dos emedebistas Michel Temer, Romero Jucá e Renan Calheiros, além do petista Jorge Viana – então vice-presidente do Senado –, é saber que a iniciativa de questionar na justiça o presente bilionário que seria dado às teles foi iniciativa de alguns membros da bancada do PT na Casa, entre os quais o senador Lindbergh Farias (RJ).

Pragmático
Sobre o assunto, o site Pragmatismo Político afirmou, em dezembro de 2016, se tratar de ‘um presente de Natal jamais visto no planeta em tempo algum e [que] provocará um déficit gigantesco ao patrimônio público nacional’.

Vai além
E quem vê ou ouve o senador petista Jorge Viana indignado com a doação de R$ 792 mil para que a Cisjordânia restaure a Igreja da Natividade não entende como ele pode se calar ante o calote de Moçambique no BNDES, num total calculado em R$ 1,5 bilhão.

A gente explica
Desde 2006, quando Lula foi reeleito para a Presidência da República e Guido Mantega deixou a presidência da BNDES, para o assumir o Ministério da Fazenda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social se tornou o principal órgão de financiamento de grandes empreendimentos em países emergentes.

Governo amigo
Lula tratou de aumentar a fatia de empréstimos do BNDES a governos como os de Cuba, Venezuela, Equador, Panamá, Argentina, Bolívia, Colômbia e Moçambique, entre outros. O valor investido nessas transações saltou de R$ 9,9 bilhões (ou 0,4% do PIB) para R$ 414 bilhões (8,4% do Produto Interno Bruto).

Angu de caroço
Em dezembro do ano passado, o Tesouro Nacional começou a pagar pelos calotes que o BNDES sofreu por financiar as obras de empreiteiras brasileiras envolvidas na Lava Jato. No dia 15 daquele mês, o governo teve de liberar do Orçamento R$ 124 milhões para ressarcir o banco por não receber os US$ 22,4 milhões (fora os encargos) de parte do financiamento feito a Moçambique.

Três grandes obras
Foram três as obras financiadas no país africano: a barragem de Moamba Major, o Aeroporto de Nacala e a BRT da capital moçambicana, Maputo.

Lista de devedores
Além de Moçambique, estavam na lista de devedores inadimplentes a Venezuela – que acabou quitando, em janeiro deste ano, uma parcela de 262 milhões de dólares da dívida com o BNDES – e Angola.

Nada a declarar?
Sobre o tema – e a despeito da montanha de recursos investidos em obras de infraestrutura, a juros menores do que os captados dentro do Brasil –, o senador Jorge Viana não diz uma única palavra.

Farinhada
A mesmíssima coisa faz a imprensa do Acre – que dá eco à gritaria do petista quando ele cobra a doação de R$ 792 mil à Cisjordânia, e não o importuna por se calar diante do presente dado pelo governo Lula a governos alinhados pela ideologia de esquerda.

Pecado e remição
E se pecou ao tentar ceder R$ 100 bilhões do patrimônio público nacional às empresas de telefonia móvel, Viana não se redime com críticas à doação de quase R$ 1 milhão à Igreja da Natividade.

Dois pesos e duas medidas
Afinal, não trata aqui apenas de uma enorme diferença de valores – mas da desmesurada incoerência na qual está mergulhado, até o pescoço, o senador do PT do Acre.

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