Pesquisa aponta insatisfação de brasileiros com a Educação; professora acreana rebate: “É fácil opinar”


A educadora falou dos avanços da educação no estado, enfatizou o papel da família e questionou os responsáveis

EVERTON DAMASCENO, DA CONTILNET

De acordo com a pesquisa ‘Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica’, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última terça-feira (3), a insatisfação com a educação pública no cenário brasileiro, aumentou significativamente.

O levantamento aponta que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio como ruim ou péssimo. Em 2013, data do último estudo semelhante, o percentual era de 15%.

No Acre, pelo que aponta a professora e mestre Nayra Claudinne, a insatisfação das pessoas que avaliam como negativo o processo educacional atual, está voltada para as próprias vivências e para o incômodo com algumas inadequações nos sistemas de ensino.

Ainda que, considerando a opinião da população em geral, a educadora afirmou que o posicionamento das pessoas que estão do lado externo do campo educacional, é ‘leigo’ perto da opinião dos professores que atuam diariamente nas escolas.

“O que é que estamos fazendo para mudar o que é da nossa insatisfação?”, questionou/Foto: Reprodução

“É preciso respeitar os pontos de vista e, acima de tudo, considerar que as insatisfações são diferentes. O professor tem uma visão integrada do que de fato se configura educação”, comentou.

Nayra considera que os dados não são científicos e relatou que é difícil mensurar a real situação do estado no quesito qualidade de ensino, muito embora, afirma que os fatos devem reforçados, salientando que o Acre experimenta um avanço significativo na educação, e hoje assume a posição de melhor Índice de Desenvolvimento Básico (IDEB) da região norte, nas séries iniciais, com orientação curricular prestigiada em outros estados do Brasil.

Claudinne disse ainda que o Ensino Médio acreano é destaque na região.

“Não considero que a educação no estado retrocedeu, mas que caminha lentamente. Isso não significa que não precisamos avançar. Acredito que os investimentos para o progresso da ciência e tecnologia, são mínimos. Não é possível avaliar um Brasil inteiro com apenas uma prova. É evidente que a necessidade está em trabalhar o plano de carreira do professor, sua qualificação e ajustamento de salário. Ainda assim, queremos focar no que está funcionando”, explicou.

Segundo o levantamento, os brasileiros consideram não faltarem recursos públicos para a educação básica no Brasil, mas acreditam haver má gestão das verbas. A maioria (81%) tem essa percepção. Em relação à administração das escolas, 93% dos entrevistados acreditam que o diretor deveria ter uma formação específica em gestão.

Duas mil pessoas, entre 15 e 20 de setembro do ano passado, em 126 municípios, participaram da pesquisa.

Ao direcionar a entrevista para o não funcionamento de partes do sistema educacional no Brasil e no estado, a educadora afirmou que o aluno é sempre padecedor do que não está preservado, mesmo que os estereótipos de vítima e culpado não sejam funcionais para esse entendimento, de acordo com ela.

Nayra Claudinne é membro da SEE e mestre em Língua Portuguesa/Foto: Reprodução

“O aluno sempre fica negligenciado quando a educação não funciona e, nesse processo, precisamos estar atentos a quem a Constituição Federal atribui responsabilidade por esse funcionamento: a escola, a sociedade e a família. Se algo está errado, a culpa é de todos esses. Fazer educação é um trabalho dos cidadãos, sejam lá quais índices forem publicados”, salientou.

Entre os que acham a educação pública do Brasil ótima ou boa, houve queda de 48%, na pesquisa de 2013, para 31% na divulgada recentemente. Nos colégios particulares, a avaliação ótima ou boa também diminuiu: de 76% para 64% no mesmo período. Mas a observação negativa manteve-se em cerca de 3%.

“Não precisamos de atitudes extraordinárias. Precisamos ter o suficiente, dando suporte ao aluno para que consiga ter autonomia e segurança no futuro. É necessário resgatar o que está dando certo e tomar novos rumos. É preciso trazer a família para mais perto da escola, conscientizar sobre a importância da educação. É muito fácil opinar e não fazer parte do processo”, falou.

De acordo com a pesquisa, os brasileiros acreditam haver relação entre a situação na educação brasileira e dois dos principais problemas enfrentados pelo Brasil – violência e corrupção.

“O que é que estamos fazendo para mudar o que é da nossa insatisfação? A educação é o único caminho que pode mudar a realidade desse país. Não podem tirar de nós o conhecimento e, a partir dele, é que desenvolvemos um senso crítico e real do que de fato está acontecendo. Eu acredito que a falta de educação reforça a violência e a corrupção. Talvez isso configure o não entendimento de que a evolução seja o ponto de partida de qualquer crescimento, nas diferentes esferas que constituem o nosso existir no mundo”, concluiu.

Nayra Claudinne Guedes Menezes Colombo é mestre em Língua Portuguesa, servidora estadual e atualmente trabalha na Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE).

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