Após ver ex-marido sendo assassinado, mãe conta como foi cuidar da filha sozinha


A estudante estava com apenas 18 anos e 3 meses de gravidez, quando viu o ex-marido que havia lhe pedido em noivado, ser assassinado

EVERTON DAMASCENO, DA CONTILNET

Rosilene e a filha, Maria Eduarda/Foto: Reprodução

A estudante de Psicologia de 25 anos, Rosilene Macedo, vivenciou uma história trágica e comovente, enquanto estava grávida, celebrando um dos momentos mais importantes da vida de uma mulher. A mãe de Maria Eduarda perdeu o ex-marido e pai de sua filha após ser assassinado, enquanto ela ainda esperava pela criança.

Rosi, como prefere ser chamada, contou à reportagem da ContilNet, que vivenciou dias muito difíceis, porque presenciou a morte do ex-marido, o ex-vendedor Carlos Ronan Nobre, falecido no dia 18 de janeiro de 2012, que junto com ela aguardavam a chegada tão esperada de Eduarda, que hoje tem 5 anos.

A estudante estava com apenas 18 anos e 3 meses de gravidez.

A vítima, no dia que ocorreu o crime, havia ido até a casa de Macedo para pedi-la em noivado e conhecer a família. Quando saiu da casa, foi assassinado por um vizinho de Rosilene, que, segundo ela, estava sob efeito de drogas.

“Eu estava grávida quando vi Ronan ser assassinado. Foi muito difícil. Perdi o pai da minha filha, injustamente, e todas as esperanças que guardava, por um longo período. Tranquei a faculdade que iniciei, devido ao luto que estava vivendo, e com essa dor, fui criar minha filha, que mesmo longe do pai, recebeu o melhor amor que pude oferecer. Duda (apelido da filha) é o maior presente que pude receber”, explicou.

Ronan foi assassinado minutos após pedir a mão de Rosilene em noivado/Foto: Reprodução

A estudante, emocionada, afirmou que mesmo com a tragédia, amadureceu muito com a criança que estava sendo gerada, mesmo tendo que conviver com a saudade e o sentimento de culpa que guardou por muito tempo.

“Duda me trouxe luz quando eu mais precisei. Sentia segurança nela, mesmo vendo muitas pessoas me julgarem, dizendo que se Ronan não estivesse na minha casa, naquela noite, ele não teria sido assassinado. Mas aprendi a ver que não posso controlar o mundo e o que acontece nele”, comentou.

A vinda de uma criança, o amor como cura e os desafios de uma MÃE sozinha

“Me vi em uma das situações mais desesperadoras de toda minha vida. Não tinha o pai da minha filha, havia presenciado os últimos suspiros dele em busca de ar pra respirar e, derrepente, precisava fazer pré-natais com tudo isso que estava vivendo”, explicou.

A futura psicóloga conta que o processo de gestação foi marcado por várias idas aos tribunais, por conta da necessidade de apurar o crime e investigar o ocorrido. Mesmo assim, Rosilene afirma que Eduarda foi uma luz no fim do túnel, quando não enxergava mais razão pra viver.

“A maternidade me mostrou que alguém ali precisava de mim, que existia um sopro dentro de vida que me despertava, me dava esperanças pra continuar de pé, seguir com minha vida. Ter me tornado mãe, me ajudou a sair do fundo do poço. A Duda veio pra me curar, aos poucos”, explicou.

“Duda me trouxe luz quando eu mais precisei”/Foto: Reprodução

Quando perguntada sobre as dificuldades e desafios de cuidar da filha sozinha, a mãe relatou que não foi fácil, mas gratificante e de um aprendizado que valor nenhum no mundo pode pagar: “Foi difícil, porque eu perdi o companheiro que poderia ter, junto comigo, educado e amado, mas ao mesmo tempo, foi cheio de amor e muito crescimento, porque alguém que nasceu de mim estava ali, todo o momento, esperando por mim e me nutrindo de amor.

Uma nova vida: noivado, casamento e outros planos

Em 2014, depois de ter superado parte das dificuldades que ainda enfrentava, Rosi comentou que voltou a cursar psicologia e trabalhar, além de cuidar da filha e rotineiramente, conversar com os amigos.

Após 5 anos da tragédia, Rosi recomeçou a vida com Fábio/Foto: Reprodução

Sucessivamente, após os cinco anos da tragédia que mudou completamente a vida da estudante, em setembro do ano de 2016, Rosilene conheceu o funcionário público José Fábio de Andrade, 33 anos, que depois de um ano de namoro e tendo aprendido a amar a mãe e a filha, pediu a mão de Rosi em noivado, durante uma festa organizada na faculdade que cursa Psicologia, com direito a fogos, rosas vermelhas e discursos emocionantes do então apaixonado, que junto com Maria Eduarda, fizeram uma surpresa para a universitária.

“Eu abracei a felicidade e encontrei uma das pessoas mais importantes da minha vida, que insiste todos os dias, em fazer de mim e da minha filha, as mulheres mais felizes desse mundo. Fábio é o amor da minha vida”, enfatizou.

A estudante recebeu o pedido de noivado na faculdade que estuda/Foto: Reprodução

De casamento marcado, a personagem dessa história de vida marcada por superação, diz que ser mãe é exercer o papel mais lindo do mundo, o de amar e, sobretudo, de nutrir com a própria vida, os sonhos de um filho (a).

“Ser mãe, de verdade, é transformar-se no próprio amor, que cura, transforma e ensina”, concluiu.

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