“Esse amor curou muita coisa ruim na minha vida”, diz mãe Trans ao falar de maternidade e preconceito


Madonna aprendeu a utilizar a relação com o filho como barreira para o preconceito social

ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

Neste domingo (13), celebra-se o Dia das Mães, data criada para reforçar a importância daquelas que, através do amor e do carinho, buscam garantir uma vida de qualidade e felicidade para seus filhos.

Em alguns casos, estas mães precisam passar por uma barreira ainda mais dificultosa para criar os filhos: a barreira do preconceito. Em Rio Branco, uma destas situações foi – e ainda é – vivenciada pela cabeleireira Madonna, 56 anos de idade, mulher trans que se tornou mãe há 17 anos atrás.

O MOMENTO DECISIVO

À equipe da ContilNet, Madonna explicou que o filho, Jardel Costa Rodrigues, que completará 18 anos em agosto deste ano, nasceu de uma “relação turbulenta”: “Ele é filho de uma amiga minha que, na época, não teria condições de criá-lo. O pai não queria assumir a criança, e a mesma seria enviada para uma outra família no interior do Estado. Senti, naquele momento, que era meu dever cuidar daquela criança e a adotei. Não tive muita dificuldade pois tive muita ajuda de pessoas muito queridas. O que é difícil é criar uma criança. Se não tiver amor, carinho, não vai pra frente. Deixei meu trabalho no Centro de Rio Branco para trabalhar em casa, para ser mais presente e dar àquela criança a atenção e o afeto necessários para o bom desenvolvimento”.

PRECONCEITO

Em momentos isolados, porém marcantes na memória, ficaram situações de preconceito que afetaram diretamente o filho de Madonna. De acordo com a cabeleireira, só pelo fato do menino possuir uma mãe que não segue os padrões ditos “normais” da sociedade, muitas pessoas já chegaram a “olhar torto”, apontar e pensar que o rapaz não teria uma “criação digna”.

“Sou feliz. Não me arrependo dessa decisão”, disse Madonna. Foto: Reprodução

“Alguns dos momentos mais constrangedores são os que vivemos nas repartições públicas ou hospitais, quando nos chamam pelo nome de registro – no meu caso, José. Creio que o preconceito vai existir ainda pelo resto da minha vida. Se eu for até um local atrás de um emprego para ele, é quase certo de que não me ajudarão. O preconceito, infelizmente, nunca deixará de existir. Mesmo assim, meu filho e eu não ligamos para isso. Seguimos com nossas vidas”, afirmou Madonna.

PODER DA MATERNIDADE

Ao relembrar de tudo que já aconteceu, incluindo a mudança do espaço profissional, Madonna declara que não se arrepende de nada, e que, se tivesse que fazer tudo novamente, não hesitaria. “Sou feliz. Não me arrependo dessa decisão, pois sem meu filho não seria ninguém. Ele é meu filho e meu amigo. Várias coisas ruins em minha vida foram curadas por esse amor que entrou e reescreveu minha história”, disse.

MAIS AMOR NAS FAMÍLIAS

Madonna reforçou também a importância da compreensão e do amparo familiar, pois se não existe acolhimento da família, a vida se torna mais pesada.

Jardel Rodrigues, filho de Madonna. Foto: Reprodução

“Famílias, nunca deixem de amar seus integrantes por questões como identidade de gênero ou orientação sexual. Isso faz parte da vida de muitas pessoas, e nem por isso elas deixam de ser mais importantes ou devem se tornar estranhos dentro de casa. Conversem, busquem entender as diferenças e vivam o amor na totalidade”, afirmou.

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