Inflação baixa ajuda a suportar dificuldades


A inflação contida é o resultado da eficácia da política monetária do Banco Central

OPINIÃO ESTADÃO

A inflação oficial de apenas 0,14% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio deve ser vista como um amortecedor para as dificuldades conjunturais agravadas nos últimos dias. Entre essas dificuldades estão a greve dos caminhoneiros e a desvalorização do real, que alimentam tensões sobre preços no atacado e no varejo de itens essenciais, como alimentos e combustíveis. Mas a quase estabilidade da maioria dos preços deverá assegurar que os índices de inflação continuem em níveis compatíveis com as expectativas de consumidores, empresas e governo.

Baseado em coletas de preços efetuadas entre 15 de abril e 14 de maio, o IPCA-15 foi 0,07 ponto porcentual inferior ao de abril e a menor taxa para maio desde 2000. No ano, o IPCA 15 acumula alta de 1,23%, a menor desde o Plano Real e, em 12 meses, alta de 2,7%, inferior à de 2,8% registrada em abril de 2018. O índice ficou, inclusive, abaixo das previsões médias dos economistas.

A inflação contida é o resultado da eficácia da política monetária do Banco Central, mas também do ritmo lento da recuperação econômica.

O IPCA-15 foi empurrado para baixo pelos itens transportes (-0,35%), artigos de residência (-0,11%) e alimentação e bebidas (-0,05%), notadamente fora do domicílio. Em transportes, o etanol ajudou ao cair 5,17%, enquanto as passagens aéreas cediam 14,94%. O índice de difusão, que mede o número de itens que registraram alta, caiu de 49,9% em abril para 47,9% em maio.

A inflação de serviços está em queda maior que a prevista e as maiores pressões vêm dos preços administrados, ou seja, dos itens monitorados pelo governo, como remédios, planos de saúde e energia elétrica.

É possível alguma reversão de fatores baixistas até o final deste mês, mas os agentes econômicos continuam prevendo inflação comportada. As pressões sobre o IPCA de maio deverão ter por origem os itens habitação, influenciado pela elevação de tarifas de energia elétrica, saúde e cuidados pessoais e vestuário, devido à chegada do frio. O departamento econômico do Bradesco espera uma inflação de apenas 0,23% no mês.

As expectativas para 2018 são de que o IPCA deverá se situar em níveis inferiores a 4%, o que é bem menos do que o ponto central do regime de metas, de 4,5%.

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