Ministro diz que reunião do governo com caminhoneiros ‘pode resultar numa trégua’


Marun já havio dito, na quarta, que a arrecadação prevista pela reoneração não compensa a perda de receita com a eliminação de PIS-Cofins

G1

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (24) que a reunião marcada para 14h entre o governo e representantes dos caminhoneiros “pode resultar numa trégua”.

Caminhoneiros entraram nesta quinta no quarto dia seguido de bloqueio de rodovias em diversos estados do país. Eles reivindicam diminuição no preço do diesel. A paralisação da categoria começou a afetar o abastecimento de diversos produtos pelo país, como combustíveis e alimentos.

Nos últimos dias, o governo vem buscando alternativas para o encerramento da mobilização dos caminhoneiros. Na quarta-feira (23), houve uma primeira reunião no Palácio do Planalto com a categoria.

Marun explicou que, na ocasião, foi apresentada uma pauta de reivindicações dos caminhoneiros. Ele lembrou que já foram tomadas medidas, como a decisão da Petrobras de reduzir 10% o preço do diesel vendido pelas refinarias por 15 dias.

Segundo ele, a posição da Petrobras permitiu avanços em duas questões defendidas pelos caminhoneiros: redução do preço e previsibilidade nos valores cobrados pelo diesel.

“Vamos nos reunir hoje, novamente às 14h, já não mais como ontem [quarta-feira], simplesmente ouvindo, mas já tendo tomado medidas concretas, o que nós entendemos que podem resultar numa trégua para que, daí sim, as outras reivindicações, que são muitas, possam ser analisadas com mais tempo”, disse o ministro.

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, que esteve no encontro de quarta, informou que os caminhoneiros pedem a redução de PIS-Cofins e ICMS que incidem sobre o diesel. A entidade também defende que os reajustes no diesel sejam adotados de três em três meses.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que também participa das conversas com o governo, informou que a paralisação será suspensa se o governo retirar a PIS/Cofins e a Cide incidentes sobre os combustíveis e a medida entrar oficialmente em vigor.

‘Cálculos equivocados’

Na entrevista, Marun também comentou a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar o projeto que elimina a cobrança de PIS-Cofins sobre o diesel até o fim de 2018. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado.

Segundo ele, a decisão foi “baseada em cálculos equivocados” e não “existe mais dúvida” sobre o tema. O ministro não informou os números na entrevista.

A eliminação temporária do PIS-Cofins que incide no diesel foi incluída pelos deputados no projeto que reonera a folha de pagamento das empresas de 28 setores da economia. No entanto, o acordo costurado pelo governo previa zerar a cobrança de outro imposto, a Cide.

Marun já havio dito, na quarta, que a arrecadação prevista pela reoneração não compensa a perda de receita com a eliminação de PIS-Cofins.

“Os cálculos foram refeitos e realmente a nossa posição era correta. A decisão foi baseada em cálculos equivocados. O relator se fez assessorar por uma economista que, acredito, errou seus cálculos”, disse Marun.

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