Pré-candidato ao governo pelo Avante, David Hall afirma: “Está na hora da sociedade ganhar as eleições”


Ele propõe “enxugar a máquina pública”, reforçar investimentos na juventude e trazer a “nova política”

ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

Com apenas 30 anos de idade, o professor universitário e filósofo David Hall se prepara a cada dia para as eleições deste ano. Lançado oficialmente como pré-candidato ao governo do Estado pelo Avante (antigo PT do B) em março, David já atua na profissão de docente há cinco anos, e neste mesmo período também aliou especializações e movimentações nas áreas de administração pública e atividade eleitoral.

David Hall, pré-candidato do Avante. Foto: Reprodução

Em entrevista exclusiva à ContilNet, o pré-candidato destacou um pouco sobre sua área de formação – a filosofia –, e como esta pode ser uma forte aliada na campanha ao governo do Acre, além de tocar em assuntos como segurança pública, a necessidade de “enxugar a máquina pública”, e redirecionar investimentos para a juventude acreana.

Além de Hall, existem ainda três candidatos a deputado federal e seis candidatos a deputado estadual pelo Avante.

PRIMEIRO CONTATO COM A FILOSOFIA

“Meu interesse pela filosofia teve início aos 16 anos, no ensino médio. Eu não me identificava com o ‘ensino formal’, especialmente matemática e afins. Quando me deparei com o professor de filosofia na Escola Estadual Heloísa Mourão Marques, percebi que ele tinha interesse em ouvir os estudantes. Fazia debates polêmicos, queria realmente entender e conversar com seus estudantes para ampliar nossos horizontes. Isso foi decisivo para que eu enveredasse por esse caminho na área profissional. Fiz quatro anos de bacharelado em filosofia e, logo depois, cursei o mesmo curso (mas dessa vez licenciatura) na Universidade Federal do Acre (Ufac). Foi na universidade também que comecei a me envolver com a política.”

APARTIDÁRIA

“Na universidade, comecei a me envolver com o movimento estudantil. Sempre considerei que o mais importante era representar de fato o interesse dos estudantes. Depois de formado, comecei a perceber alguns problemas da categoria educacional. Nosso sindicato, que deveria nos representar, estava atrelado ao governo – ou seja, não possuía legitimidade para cobrar as mudanças necessárias. Isso fez com que eu me atraísse por um movimento independente chamado ‘Acorda, educação’, que estava na linha apartidária. Entretanto, foi apenas em 2015 que iniciamos o sonho de construir um projeto completamente diferente de todos os outros, que foi a Rede Sustentabilidade. Desde 2010 acompanho a trajetória da Marina Silva, que me pareceu uma terceira via que quebrava a polarização, colocando a sustentabilidade no centro do debate nacional.”

SURGIMENTO DO AVANTE

“Em 2017 e 2018, fomos convidados a reconstruir o ‘Avante’. Se trata de um partido antigo (PT do B) que foi reformulado. Os dirigentes da nacional do partido começaram a sentir a necessidade de ouvir o anseio populacional. Existe um descrédito e uma descrença muito forte em relação aos políticos. O antigo PT do B era um partido ideológico – uma legenda, podemos dizer assim. A diretoria antiga foi destituída, e quem assumiu a presidência do partido foi o policial federal Franklin Albuquerque. Ele atua como um presidente mesmo, e não como um ‘cacique’. Observamos e sabemos que, em outros partidos, existe esse ‘caciquismo’, e no nosso partido não. As decisões são tomadas após o debate levado à exaustão algumas vezes. Em todo o Estado, existem mais de 400 filiados. Especificamente em Rio Branco, participando ativamente das atividades, estão mais de 30 filiados.”

SOBRE OS PRÉ-CANDIDATOS A GOVERNADOR DO ACRE

“Analisamos as candidaturas que já estavam postas: Marcus Alexandre, Gladson Cameli e o Coronel Ulysses. Não vislumbramos nenhuma possibilidade de mudança real com esses três candidatos e queríamos apresentar uma possibilidade viável. À medida em que criticamos – que fique bem claro:  uma crítica, não um ataque –, queremos apresentar soluções viáveis. A gente se propõe para renovar a política. Acreditamos que é possível fazer uma nova política, mas essa mudança não vem somente da renovação de quadros; é preciso pensar a política com outra perspectiva. Aquilo que os especialistas chamam de ‘governo de coalizão’ funciona da seguinte forma: o governo possui as secretarias, e elas são fatiadas para a base de sustentação do governo. Esse jogo de ‘toma lá, dá cá’ se mostrou pernicioso, pois quem assume essas secretarias não são sempre as pessoas mais qualificadas, e sim um resultado dessa vontade de ganhar espaço. Acreditamos que é possível fazer diferente chamando as pessoas com qualificações técnicas para assumir os cargos, independente de filiação política. O problema é que essas pessoas acabam ficando no banco de reservas. Existem pessoas boas dentro e fora do governo, e são com essas pessoas que o movimento quer trabalhar.”

COMBINAÇÃO DE CONHECIMENTOS

Para além daquilo que a filosofia pode contribuir – no sentido de ter um senso crítico aguçado que permite ver as coisas de outras perspectivas –, também fiz outros cursos de especialização na área política, envolvendo eleições e administração pública. Estes conhecimentos técnicos foram essenciais para me qualificar e me preparar para uma candidatura. Além disso, é importante nos cercar de pessoas de caráter inabalável.

PLATAFORMAS DE CAMPANHA

“Temos dialogado com pessoas de diversas áreas que nos assessoram e apontam caminhos para buscar soluções para diversos problemas sociais. A gente analisou, por exemplo, que existem 24 secretários adjuntos ganhando salários de R$ 19 mil, que totalizam mensalmente R$ 460 mil. Além deles, são 12 assessores especiais ganhando também R$ 19 mil e pouco, que totalizam o valor mensal de R$ 268 mil. Tudo isso está no Portal da Transparência. Esses valores poderiam estar sendo aplicados em outras áreas, e é isso que queremos fazer: enxugar a máquina pública para realocar estes valores para políticas, por exemplo, de juventude. Nossas prioridades são a segurança pública, educação e saúde.”

SEGURANÇA PÚBLICA

“O assunto ‘segurança pública’ vai permear muito os debates das eleições deste ano. A gente sente na pele cotidianamente o risco de ser assaltado, ou de ser vítima de várias ramificações da violência. Pensamos violência numa perspectiva que dialoga com outras áreas. A gente viu alguns posicionamentos de outras candidaturas, mas é uma visão limitada (enfrentamento, repressão). Isso é importante, mas não é apenas isso. As políticas públicas voltadas para a juventude contam muito na eliminação da entrada de jovens no mundo do crime. Temos que ir até a raiz do problema. Também é importante que as forças policiais possuam equipamento próprio (armamento, coletes à prova de balas, viaturas…) provido pelo Estado. Mas a segurança também deve dialogar com todos os setores.”

SOBRE AS REDUÇÕES DE HORÁRIOS NO ACRE

“Temos uma posição, um lugar de fala que não é apenas a crítica pela crítica. Daqui a pouco eles vão querer reduzir o horário dos hospitais, das UPAs… Quem está doente não pode esperar. E a gente volta à temática da priorização: “Qual a visão do governo?”, “O que ele está priorizando”… Por que não enxugar a máquina pública e eliminar alguns cargos que são desnecessários? É uma questão de prioridade.”

O “NOVO” NA POLÍTICA

“As pessoas sempre se perguntam o que é este ‘novo’ na política. E eu creio que nada mais é do que a boa política. A verdadeira mudança deve partir de cada um dos integrantes da sociedade. Somos vítimas do caos político, mas também não somos apenas vítimas: nós também podemos ser parte da solução. Creio que estas eleições serão bem diferentes. Está na hora da sociedade ganhar as eleições.”

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