Representantes acreanos promovem evento para participação em conferência nacional


Encontro nacional acontece entre 27 e 30 de maio em Brasília; segmentos do evento incluem “juventude”, “LGBT” e “movimento negro”

ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

Promovendo o encontro de lideranças sociais e representantes de governos municipais, estaduais e federais, será realizada entre 27 e 30 de maio, em Brasília, a IV Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR).

Conferência acontece neste mês em Brasília. Imagem: Reprodução

O tema deste ano é “O Brasil na década dos afrodescendentes: reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos”, e os representantes do estado do Acre já começaram a mobilização para garantir a participação no evento.

SAMBA DA RESISTÊNCIA

Do estado do Acre, foram selecionados 13 representantes (também chamados de “delegados”) após a fase estadual da conferência. Os selecionados irão como representantes de diversos segmentos, incluindo “poder público”, “juventude”, “mulher”, “movimento negro”, “LGBT” e “religião de matriz africana”.

Para angariar fundos e cobrir os custos da viagem, a comissão acreana se organiza para o “Samba da Resistência”, evento marcado para esta sexta-feira (18) no Casarão. Entre as atrações musicais, estarão Brunno Damasceno, Banda Pixain, Chris Guto, Edy Bastos e Julinho Marinheiro.

Para garantir um ingresso antecipado no valor de R$ 10, entre em contato com os representantes através do telefone (68) 99974-7191.

“SOCIEDADE MAIS IGUALITÁRIA”

Nakágima Sanlay, de 27 anos de idade, é a representante acreana do segmento LGBT, e afirma que a conferência é mais do que necessária.

Nakágima Sanlay, representante do segmento “LGBT”. Foto: Reprodução

“O ano de 2018 tem sido particularmente difícil para o movimento. O ‘Estatuto da Família’ veio para desconsiderar completamente as várias formações de famílias. Tenho uma união estável com outra mulher, um filho, e esse estatuto não nos reconhece. Devemos reforçar e reafirmar o compromisso com os direitos humanos. É um absurdo estarmos em um país com números tão elevados de assassinatos da população LGBT. Nós estamos indo ao nacional para debatermos possíveis leis e para destacar ainda mais a importância da juventude na construção de uma sociedade mais igualitária”, disse Nakágima.

ANCESTRALIDADE E VIVÊNCIA

Do segmento “religião de matriz africana”, foi selecionada a autônoma Luana Mayara D’Ogun, de 37 anos de idade. A expectativa de Luana para o evento é representar de forma honrosa toda a comunidade de matrizes africanas do Estado, validando todas as propostas discutidas nas etapas municipal e estadual.

“Nessa atual conjuntura, devemos por obrigação fazer uma excelente conferência, tendo em vista que, nesse ano, uma ativista negra e lésbica foi morta lutando por direitos igualitários. Estamos levando em nossa bagagem várias propostas para a melhoria de nossos Ilê Axé. Também estamos entrando em um cenário de debate político nacional para a melhoria coletiva. A troca de experiência com os participantes mais velhos será, sem dúvida, um dos pontos altos desse encontro – já que o Candomblé respeita a ancestralidade e a vivência de cada adepto”, afirmou.

JUVENTUDE

Com apenas 19 anos de idade, Isna Fernanda se prepara para o encontro nacional com uma enorme expectativa. Acadêmica do curso de nutrição da Universidade Federal do Acre (Ufac), Isna levará até Brasília uma proposta aprovada para o debate.

Isna Fernanda, representante do segmento “juventude”. Foto: Reprodução

“Me envolvi muito estudando com grupos de oficina para debater os textos e elaborar as propostas. Uma proposta minha aprovada para debate na fase nacional é sobre o combate à violência obstétrica contra a mulher negra”, destacou a representante.

PODER PÚBLICO

Militante no movimento de mulheres e combate ao racismo, Raquel Lima, funcionária da Prefeitura de Rio Branco, irá representar o segmento “poder público”.

“Trata-se de um governo golpista, ilegítimo, de direita, que nunca pautou a promoção da igualdade racial. Pelo contrário, só reforça o racismo, o machismo, o sexismo, a homofobia, a lesbofobia e a transfobia.  Precisamos participar desta conferência no intuito de resistirmos a todas as mazelas e perdas de direitos que esse governo vem implementando”, disse a militante.

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