Especialistas temem fraudes em eleições no México


No passado, ficaram famosas algumas práticas ostensivas, como “el ratón loco” (trocar a localização das mesas de votação para confundir eleitores)

ISTO É

CIDADE DO MÉXICO, 12 JUN (ANSA) – Por Marcos Romero – Apesar das diversas reformas nas regras eleitorais do México nos últimos anos, especialistas ainda temem que aconteçam fraudes nas eleições de 1º de julho.

No passado, ficaram famosas algumas práticas ostensivas, como “el ratón loco” (trocar a localização das mesas de votação para confundir eleitores), as “urnas grávidas” (enchimento de urnas com cédulas) e a “operação tamal” (pressionar eleitores após convidá-los para um café-da-manhã).

Agora, no entanto, as infrações se tornaram mais sutis e sofisticadas, motivo que faz especialistas temerem iregularidades na votação que elegerá o presidente, 128 senadores, 500 deputados federais e nove governadores, entre outros cargos.

Segundo ele, a criação de uma autoridade eleitoral autônoma e independente, em 1990, conseguiu “extinguir algumas dessas práticas”. Contudo, Duque indica que “surgiram novas [práticas], o que em parte tem a ver com o uso da tecnologia da informação”.

Por exemplo, muitos cidadãos são obrigados a tirar fotos de suas cédulas já preenchidas em troca de algum presente para apoiar determinado candidato ou partido. “Não conseguimos erradicar o problema da compra de votos, e a distribuição de alimentos, cimento, água, é uma prática de clientelismo eleitoral que não pôde ser enterrada”, lamenta o especialista.

Rafael Estrada, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Panamericana, acrescenta que “sempre há novas formas de violentar a vontade popular”. Um exemplo de delitos eleitorais mais sofisticados ficou evidente no caso da manipulação de dados do Facebook pela consultoria política britânica Cambridge Analytica nas últimas eleições nos Estados Unidos, vencidas por Donald Trump.

“Estamos ante condutas cada vez mais preocupantes, porque agora há uma possibilidade de incidir de modo determinante na vontade dos eleitores através das redes sociais”, alerta Estrada. “Quero ver como vamos resolver isso em nível penal, porque não é algo fácil”, completa. (ANSA)

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