Análise: pesquisa do instituto Data Control recomenda moderação aos empolgados


Número de indecisos e dos que não rejeitam nenhum dos pré-candidatos reforça a certeza de que nada está definido

ARCHIBALDO ANTUNES, DA CONTILNET

Pesquisas de intenção de voto são reflexo do momento político, lembram sempre os especialistas no assunto. E quanto mais distantes do dia da votação, menos imprecisas se tornam.

Isso porque a vitória ou a derrota depende de fatores nem sempre controláveis pelo candidato e sua equipe de campanha. Um deslize retórico, uma atitude antipática ou mesmo a reação raivosa à provocação do adversário podem mudar tudo. São apenas alguns exemplos para ilustrar a gama de fatores capazes de acarretar o declínio dos que já se vem com a mão na taça.

A história não mente

Vejamos o exemplo de Ciro Gomes nas eleições presidenciais de 2002. No começo de julho daquele ano, o então candidato do PPS aparecia com 18% das intenções de voto, atrás de José Serra (PSDB), com 20%, e de Lula (PT), que liderava com 38%.

Ao chamar eleitor de ‘burro’, Ciro decretou a própria derrota em 2002/Foto: reprodução

Semanas depois, em nova pesquisa, a intenção de voto em Ciro havia aumentado dez pontos percentuais – e ele, com 28%, já era considerado uma ameaça pelo PT. Lula havia caído para 33%.

Genioso e irritadiço, tudo mudou para Ciro Gomes quando, em uma entrevista dada em uma emissora de rádio em Salvador, na Bahia, um ouvinte ligou e passou a atacar Antônio Carlos Magalhães, que também estava no estúdio.

Quando o ouvinte disse a Ciro que ele, pelas respostas, passava a impressão de que presidiria a Suíça, caso vencesse as eleições, o candidato explodiu. “A Suíça não tem presidente da República, mas primeiro-ministro. Isso é para você deixar de ser burro”.

Mostradas no programa do PSDB, as imagens foram suficientes para decretar o enterro político de Ciro nas eleições presidenciais. Como sabemos, Serra foi para o segundo turno contra Lula e este venceu a disputa.

Números para se refletir

A recém-divulgada pesquisa de intenção de voto para o governo do Acre (registrada no TRE sob o número AC-01692/2018), realizada pelo instituto Data Control com 1,5 mil eleitores de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Tarauacá, Feijó, Brasileia e Xapuri, apresenta dados sobre os quais é preciso refletir.

O primeiro deles é o percentual (de 31,7%) de eleitores que não antipatizam com nenhum dos pré-candidatos. E não obstante o petista Marcus Alexandre liderar no quesito rejeição, com 23,9% dos eleitores a afirmarem que não votam nele de jeito nenhum, há um terreno vasto a ser garimpado, dada a taxa anteriormente mencionada.

E ainda que a diferença em favor de Gladson Cameli seja de quase 15 pontos percentuais sobre o petista, há que se levar em conta que o levantamento do Data Control mostra que 44% dos eleitores acreanos ainda não têm interesse pelas eleições ou são indiferentes ao assunto. Outros 28,5% se dizem poucos interessados no assunto – contra apenas 27,5% que se interessam.

Não é possível, portanto, assegurar, de antemão, que já temos um vencedor. Ainda assim, pela primeira vez em 20 anos, o cenário se mostra bastante desfavorável ao candidato do PT.

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