Bebê com anomalia congênita não recebe encaminhamento para Capital e família denuncia descaso da Saúde


Bebê pode ser encaminhada para Cruzeiro do Sul nos próximos dias

REDAÇÃO CONTILNET

Uma denúncia grave foi encaminhada à reportagem da ContilNet neste sábado (14). Na cidade de Feijó, o nascimento de uma bebê com fissura labiopalatal – popularmente conhecido como “lábio leporino” – está gerando indignação e desespero de uma família da zona rural do município.

Francisco Leitão Neri, 27 anos de idade, é o pai da bebê que nasceu na última quinta-feira (12). De acordo com Neri, a situação da mãe, uma adolescente de 15 anos, é complicada pois o parto foi através de cesariana e a direção do hospital do município, de acordo com Francisco, se recusou a enviar a recém-nascida para Rio Branco. O outro destino? Cruzeiro do Sul.

“Logo no começo, pedi o encaminhamento médico para Rio Branco, porém eu teria que arranjar um jeito de ir por conta própria. Como que eu vou sair com essa bebê e uma mulher operada nessa estrada? E dentro de um táxi? Me informaram que não ia ter vaga pra gente viajar. A senhora que trabalha no Tratamento Fora de Domicílio (TFD) me assegurou que, se fosse ela no meu lugar, disse que não levaria para Cruzeiro. Me disse pra jogar minha família ‘num’ carro e ir pra Rio Branco”, disse Francisco.

A ContilNet entrou em contato com uma das enfermeiras obstetras que acompanhou os cuidados com a recém-nascida. De acordo com ela, que pediu para não ter o nome divulgado, o pedido da família se dá pela questão de acomodação: o pai da criança possui parentes em Rio Branco, podendo ter uma rede de apoio na Capital que não existe na cidade de Cruzeiro do Sul.

“Apesar de ser um caso cirúrgico, não é uma questão emergencial. A bebê está respondendo bem ao tratamento [por sonda via nasal], está sendo bem cuidada. É compreensível, claro, que a família esteja nervosa, é uma situação muito delicada. Mas ela está recebendo o tratamento adequado. O pai da criança relatou para mim que, se conseguíssemos a transferência para Rio Branco, era melhor não pela questão de especialista, mas por terem familiares na Capital acreana”, afirmou a enfermeira.

A reportagem da ContilNet tentou entrar em contato com o diretor da unidade de saúde de Feijó, porém não tivemos a ligação atendida. Também tentamos entrar em contato com a funcionária responsável pelo TFD de Feijó, que atendeu a primeira chamada mas disse que não poderia falar por estar “atendendo um paciente”. Nas ligações seguintes, não tivemos retorno.

 

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