Dos “30 mil” que participaram de convenção da Frente Popular no Acre, apenas 600 querem “Lula Livre”


Somente 600 pessoas assinaram o abaixo assinado em favor da libertação de Lula

Foto capa SALOMÃO MATOS, DA CONTILNET

30 mil noves fora = 600

A soma acima no cabeçalho não bate, mas relembrando a convenção da Frente Popular do Acre, realizada em Rio Branco no último sábado (21), no Ginásio do SESI, quando, na contabilidade dos organizadores, reuniu em torno de 30 mil pessoas, uma curiosidade chamou a atenção deste humilde Lamparina que não entende nada de matemática.

OBSERVE A SOMA

O evento, além da finalidade de apresentar os seus candidatos ao pleito de 2018, também foi organizado para coletar assinaturas e encorpar juridicamente um documento que pretende pedir a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há mais de 100 dias por crime de corrupção e lavagem de dinheiro.

NÃO PERCA A CONTA

A cota das assinaturas para a petição em favor de Lula que coube ao Acre, governado pelo petista Tião Viana (PT), seria de no mínimo 3.000 mil nomes com RG’s e CPF’s dos participantes, mas, no entanto, nem todos os “ 30 mil” concordaram. Somente 600 pessoas (segundo a lista em anexo que foi postada nas redes sociais), querem Lula Livre e outros 29.300, que estiveram no evento da Frente Popular (segundo a contagem dos organizadores), desejam mesmo é que Lula permaneça atrás das grades.

MEDO

Enquanto o ex-secretário de Segurança Pública, (o atual candidato a vice governador do Acre Emylson Farias), dizia que a onda de violência que banha o estado de sangue, era um simples “ponto fora da curva”, o atual secretário da pasta Wanderley Thomas alega que “a população tem que se acostumar com os assassinatos e tentativas de homicídios” e o governador Tião Viana, grita todo dia: “Lula Livre, Lula Presidente!”, mais jovens, sejam de facções ou inocentes, são mortos e ninguém faz absolutamente nada.

TRAPILHOS

Quem vê a Policia Militar do Acre nas ruas, tem a impressão de um estado literalmente jogado às traças, dado as condições que esses bravos guerreiros que lutam contra o crime organizado no dia a dia, se aparelham no combate ao crime.

DELONGA

Enquanto as licitações para a compra de simples uniformes não chegam, esses bravos permanecem sem vestimentas adequadas e assemelham-se a cidadãos comuns e, quando armados, ninguém sabe diferir se é bandido ou policial a margem das avenidas patrulhando ou alguma facção pronta para mais um crime na esquina ou trevo de avenida.

ISSO É CULTURA

Uma foto do descaso a cultura acreana vem bombando nas redes sociais. Trata-se da situação de abandono da Concha Acústica, bem no centro de Rio Branco, no Parque da Maternidade. O monumento que antes reunia jovens artistas da música e do teatro, hoje mais parece um varal de roupas velhas, “tão lindo” quanto as mentiras propagadas em relação ao apoio cultural no estado.

QUEBRADEIRA

Ainda falando de violência, os setores que faziam girar a economia do Acre no período noturno  (os empresários da noite), estão, literalmente, fechando as portas. Os serviços de delivery praticamente acabaram, mesmo em pizzarias e lanchonetes. Bares e restaurantes agora fecham as portas mais cedo. Boates e Clubes sertanejos estão a beira da falência com esta guerra entre facções que aterrorizam até quem quer fica em casa.

ROÇADOS DA MORTE

Dada a situação narrada por este colunista acima em relação o Acre, vou encerrar a coluna relembrando um poema de João Cabral de Melo Neto, quando escreveu o Livro Morte e Vida Severina. Assim como na seca do Nordeste narrada pelo autor, o Acre assemelha-se aos roçados da morte, onde apenas funerárias, hospitais, coveiros e doutores de “anel no anular”, como diz no poema ou profissões similares, contabilizam lucros crescentes.

EIS O POEMA

Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar;
não se precisa de limpa,
de adubar nem de regar;
as estiagens e as pragas
fazem-nos mais prosperar;
e dão lucro imediato;
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.

(João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina)

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