“Passo frio e fome”, diz acreano preso em território boliviano há 2 anos


Sebastião Nogueira Nascimento conta que foi levado de sua casa em Epitaciolândia para a cadeia em Cobija

SAIMO MARTINS, PARA A CONTILNET

O caso de Sebastião Nogueira Nascimento, de 34 anos, ganhou repercussão nacional ao ter a sua situação na Bolívia divulgada pela Folha de São Paulo no domingo (22). O acreano está preso na Bolívia desde 2016, e afirma que precisa trabalhar para não passar fome.

O ex-trabalhador rural, preso há dois anos, conta que foi levado de sua casa em Epitaciolândia para a cadeia em Cobija, do outro lado da fronteira. De acordo  com o informado pelas autoridades bolivianas ao Itamaraty, o brasileiro teria participado do sequestro do filho de um senador boliviano. A mulher de Nascimento, uma boliviana, chegou a ser presa sob a mesma suspeita, porém foi liberada pelas autoridades.

Brasileiro está detido em território boliviano há dois anos (Foto: Reprodução)

Ele divide uma cela com cerca de nove presos. Na prisão, ele lava roupas por 55 centavos, sendo que este dinheiro é o mesmo usado para comprar comida. De acordo com Sebastião, o presídio de Chanchocoro, parte alta de La Paz, só serve aos presidiários a refeição do almoço.

A polícia estrangeira não fala do caso. Sebastião, que nega ter participado do sequestro, ainda não foi julgado. Um policial brasileiro, Maicon Cezar Alves dos Santos, foi condenado em março deste ano, no Acre, a sete anos de prisão pelo sequestro de Sebastião Nogueira. Em seu depoimento à Polícia Federal, o agora ex-agente disse que três policiais bolivianos levaram a vítima para Cobija.

Nascimento ficou dois meses preso na cidade boliviana, onde diz ter sido agredido pelos carcereiros. Na sequência, foi transferido para a cadeia de San Pedro de Chonchocoro, no entorno de La Paz, onde permanece até hoje.

Nascimento relata passar frio porque suas roupas são inadequadas para o clima da região. Os presos de Chonchocoro não recebem uniforme. Amigos lhe deram algumas peças, insuficientes para aquecê-lo. A família alega não ter dinheiro para ajudá-lo.

RESPOSTA DAS AUTORIDADES

Segundo o Ministério Público do Acre, o brasileiro foi sequestrado por autoridades bolivianas em ação ilegal que violou o território nacional. “Não há dúvida de que ele foi sequestrado”, diz o promotor Ildon Maximiliano, que comandou as investigações. O caso foi encerrado depois da condenação do ex-policial Maicon dos Santos.

O promotor disse que o resultado do trabalho foi entregue à Polícia Federal. A superintendência em Brasília informou que só a unidade acreana pode tratar do assunto.

Já o Itamaraty diz acompanhar o caso e prestar assistência consular. Em nota, afirma que “o embaixador do Brasil na Bolívia [Raymundo Santos Rocha Magno] se reuniu com as vice-ministras das Relações Exteriores e de Assuntos Consulares da Bolívia para solicitar esclarecimentos das circunstâncias da prisão”, relatou.

“Delas ouviu que Nascimento teria sido preso em Cobija, Bolívia, e não em território brasileiro”, encerra a nota.

Interpelada sobre o caso, a polícia nacional boliviana afirmou que os três policiais citados por Santos foram transferidos de Cobija, mas não informou para onde. Quanto ao possível sequestro, o órgão disse apenas que o governo boliviano já tratou do caso com as autoridades brasileiras em Brasília.

Com informações da Folha de S. Paulo

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