Corintianos são condenados por morte de palmeirense em 2017


O mecânico Anderson da Cruz Andrade, de 25 anos, e Nerivaldo Moura de Andrade, foragido, podem recorrer da sentença

G1

Os dois corintianos acusados de esfaquear e matar um palmeirense durante briga de torcidas em 2017 foram condenados no início da madrugada desta quinta-feira (2) pelo crime, em julgamento realizado no Fórum Criminal da Barra, na Zona Oeste de São Paulo. O mecânico Anderson da Cruz Andrade, de 25 anos, que está preso, pegou 5 anos e dez meses em regime semiaberto, e Nerivaldo Moura de Andrade, foragido, foi condenado a 5 anos de detenção também em regime semiaberto. Ambos podem recorrer da sentença.

Câmeras de segurança gravaram o crime (veja vídeo acima). Os réus responderam pelo assassinato de Leandro de Paula Zanho, crime cometido na madrugada de 13 de julho do ano passado, após jogo entre Palmeiras e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro.

Segundo nota no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os jurados reconheceram, em sua decisão, a figura de homicídio privilegiado, o que resultou na redução de 1/6 da pena.

Foto montagem a partir de imagens de vídeo gravado /Foto: Reprodução

Em sua decisão, o juiz Paulo de Abreu Lorenzino, da 5ª Vara, destacou, segundo nota no site do TJ-SP, que diante do regime de pena aplicado, torna-se contraditório a manutenção da prisão cautelar antes decretada. “A prisão preventiva é cumprida em centros de detenção provisória, em situação equânime ao fechado. Assim, os réus, fazendo jus a cumprimento de pena em colônias agrícolas, industrial ou similar, incoerente seria mantê-los reclusos. Poderão, portanto, recorrer em liberdade”, diz a sentença.

O julgamento durou cerca de 15 horas. As defesas dos corintianos negaram o crime e alegaram legítima defesa.

Vídeo

Uma das provas do Ministério Público (MP) para acusar Anderson e Nerivaldo pela morte de Leandro foram as imagens das câmeras da Avenida General Olímpio da Silveira, abaixo do Minhocão, na Santa Cecília, região central da cidade.

Elas mostram Anderson provocando os motoristas dos veículos após a vitória por 2 a 0 do Corinthians no estádio do Palmeiras. Ele aparece segurando um facão e aparenta estar embriagado.

Na sequência da filmagem surge um grupo de palmeirenses de moto para tirar satisfações com Anderson. Outros descem do carro. Um deles, que seria Leandro, joga um pneu contra o homem que está com o facão.

Anderson é perseguido e cai na calçada. Em seguida, é possível vê-lo sendo agredido com chutes e socos, principalmente na cabeça. Nerivaldo então aparece para ajudar o amigo e segura um dos palmeirenses. Depois, puxa uma faca da cintura e parte em direção aos torcedores rivais.

Outras imagens mostram que a briga continua no meio da rua. O palmeirense Leandro tenta se defender de Anderson e Nerivaldo com um pneu, mas cai no chão. Leandro se levanta e é esfaqueado por Nerivaldo.

O palmeirense foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois no hospital. A Polícia Militar (PM) só chegou ao local do crime depois que a confusão já havia terminado.

Acusados

Em seguida, os policiais prenderam Anderson por participação na morte de Leandro. Nerivaldo fugiu e seu paradeiro ainda é desconhecido. Quem tiver informações sobre ele, pode ligar para o Disque-Denúncia pelo número de telefone 181. Não é preciso se identificar.

Um facão e uma barra de ferro usados na briga entre corintianos e palmeirenses foram apreendidos.

O G1 não conseguiu localizar a defesa de Anderson para comentar o assunto.

Segundo Marcello Primo, que defende Nerivaldo, seu cliente só usou a faca para se defender das agressões dos palmeirenses. O advogado contou que Anderson era dono de uma borracharia na avenida e Nerivaldo trabalhava para ele.

“Nas imagens está claro que Anderson estava na porta da oficina quando os palmeirenses partiram para agressão”, falou Primo. “Nerivaldo vendo seu patrão apanhando tentou defender e desferiu o golpe”.

Primo ainda informou que só Anderson é corintiano. “Nerivaldo não torce para nenhum time”.

Leandro morava em Santo André, no ABC. Ele deixou mulher e três filhos.

comentários

Outras Notícias

Veja Também