Site do interior do Acre publica enquete eleitoral e pode ser multado em mais de R$ 100 mil


Legislação proíbe consultas públicas destituídas de “requisitos formais e rigores científicos”

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DO CONTILNET

Vacilo

Site de notícias do interior do Acre publicou ontem (11) uma enquete sobre a disputa ao governo estadual. A iniciativa é vedada pela lei. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) alerta para a questão, nos seguintes termos: “A realização de enquetes e sondagens sobre as Eleições 2018 está proibida a partir desta sexta-feira (20 de julho de 2018)”.

No bolso

Diz o texto mais adiante: “Esse tipo de levantamento deve ser punido com o pagamento de multa prevista no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei nº 9.504/97”. Por sua vez, este último estabelece a pena pecuniária que pode variar de 50 mil a 100 mil UFIR (Unidade de Referência Fiscal) – o que, em reais, dá algo entre R$ 53,2 mil e R$ 106,4 mil.

Muito cuidado nessa hora

Depreende-se do texto que a regra é válida também para pessoas físicas que porventura façam o mesmo através das redes sociais.

Acredite se quiser

Como ficou sabendo o leitor, a assessoria de imprensa estatal afirmou, com base em dados pinçados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quinta, que o Acre foi o segundo no ranking dos estados que mais investiram em segurança em 2017.

Credulidade

Ao contrário dos companheiros, que costumam desacreditar os números quando estes lhes são desfavoráveis, não vou duvidar da veracidade da afirmação.

A outra face

Ocorre que o estudo nos mostrou as duas faces da mesma moeda. Isso significa que se por um lado os investimentos no setor cresceram exponencialmente sob o governo de Tião Viana, foi sob seu comando que nos tornamos também o segundo estado do país no ranking da violência. Cresceram os casos de homicídios, estupros e latrocínios por estas bandas.

Simples questão de lógica

Convém, conforme a intenção da assessoria estatal, acreditarmos na publicação. Sendo assim, resta comprovado que o governo de sua excelência gasta mal o dinheiro do contribuinte.

Vá com Deus!

Resta-nos o consolo de que estamos muito próximos do dia em que daremos adeus ao governador do PT. E pra isso só teremos que sustentá-lo pro resto da vida com uma pensão de míseros 33 mil reais.

Dito e feito

A propósito, na coluna anterior dissemos que Tião Viana não se debruçaria por muito tempo sobre a pendenga armada em torno das declarações sobre a violência no Acre dadas pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia. Conforme deduzimos, ele logo estaria ocupado com o seu assunto predileto. Dito e feito.

A cavalo

Ainda na sexta-feira (10), o petista tratou de defender Lula no microblog Twitter. “Eleição sem Lula não é democrática, é golpe mesmo”, afirmou o petista. A resposta à sua manifestação veio a galope: “O senhor é um fanfarrão”.

Musculatura

Fortíssimo candidato a regressar à Câmara Federal em 2019, o deputado Alan Rick (DEM) faz um mandato propositivo em Brasília. Além disso, sua atuação em defesa de valores como a preservação da família concorre para destacá-lo entre os membros da bancada federal acreana.

Retorno

Quem subestimou o desempenho de Alan Rick no parlamento em Brasília deu com os burros n’água. Pois nestes quatro anos não só foram inúmeras as contribuições que ele deu aos municípios, por meio da destinação de emendas parlamentares, como tratou também de honrar a confiança dos seus eleitores.

Frutos

Esse reconhecimento pode ser aferido por meio das últimas pesquisas de intenção de voto. Em uma delas, Alan Rick desponta entre os candidatos à Câmara Federal mais lembrados pelo conjunto dos entrevistados. Em outra (na modalidade conhecida como ‘espontânea’) consegue empatar com o senador petista Jorge Viana e o ex-prefeito Tião Bocalom quando a pergunta dirigida ao eleitor é em quem ele intenciona votar para o governo nas eleições de outubro.

Timing

Convém lembrar que Alan Rick se elegeu na chapa da Frente Popular do Acre, mas teve a sabedoria de romper com os companheiros a tempo de ajudar Dilma Rousseff a embarcar as malas em sua viagem de volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Defesa do consumidor

A notícia segundo a qual os investidores estrangeiros estariam inclinados a não fazer investimentos no país ante a perspectiva de eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República carece de maior reflexão. Sobretudo porque, reproduzida em parte por este portal, a matéria da Agência Folhapress suscitou, na rede social Facebook, mais de 50 comentários de leitores insatisfeitos.

Mercado persa

Toldadas pelas paixões políticas, as reações do público, grosso modo, costumam pecar pelo exagero. Apesar disso, é preciso estar atento às congruências – ainda que no comércio das notícias os mercadores insistam em se fingir de surdos para a máxima segundo a qual o freguês tem sempre razão.

Pontos de partida

Há pelo menos dois motivos para que a coluna endosse a contrariedade dos leitores deste portal. O primeiro deles diz respeito à recorrência com que são reproduzidos aqui artigos e matérias desfavoráveis ao candidato do PSL. E o segundo alerta para o compromisso de se submeter a julgamento acurado toda informação que nos compete veicular.

Relevância

A matéria da agência Folhapress não esclarece, por exemplo, que os investimentos estrangeiros no país se deterioram a partir de 2011 (último ano do governo Lula) e que nos primeiros quatro meses de 2018 diminuíram 30% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o jornal Folha de S.Paulo – que compõe, junto com a primeira, o mesmo conglomerado de comunicação.

Fatos e versões

Ao contrário, pois, do que alardeou a sua coirmã, a Folha atribui a queda de investimentos estrangeiros no Brasil à crise econômica e à conjuntura internacional. Do que se conclui que o repórter da Folhapress não costuma ler o principal jornal do Grupo Folha.

Pra concluir

Quando se trata de optar entre evidências e especulações, jornalistas o fazem conforme a sua capacidade intelectual, preparo profissional e inclinações ideológicas. E sempre que estas últimas se sobrepõem às primeiras, o leitor tem toda razão em espernear.

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