Senado deve criar CPI dos Museus até o final do ano, Jorge Viana defendeu a criação

O Senado deve instalar ainda neste ano uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a situação dos museus brasileiros. O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) apresentou um requerimento para a criação da CPI na última quarta-feira (5). No domingo (2), um incêndio destruiu quase todo o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A instituição é administrada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O requerimento conta com 28 assinaturas, uma a mais do que o exigido pelo Regimento Interno. O pedido está na Secretaria-Geral da Mesa e aguarda leitura no Plenário da Casa. Até lá, senadores podem retirar ou acrescentar apoiamentos.

Para Cristovam Buarque, é preciso “apurar o que está acontecendo com a cultura brasileira”. Ele acredita que a má gestão é um dos fatores que podem explicar a destruição do museu.

— Uma universidade que tem R$ 3 bilhões de orçamento poderia gastar R$ 500 mil na fiação e na manutenção de um museu. É impossível que um mínimo de boa gestão não fosse capaz de conseguir R$ 500 mil em um orçamento de R$ 3,4 bilhões — argumenta.

O senador Jorge Viana (PT-AC) defendeu a instalação da CPI. Ele atribuiu ao presidente Michel Temer a “irresponsabilidade com a cultura e a ciência” do país.

— Devemos constituir mecanismo para apurar e pôr o dedo nessa ferida. O que houve não foi apenas mais um incêndio: foi um crime cometido por essa política da insensatez que tomou conta do Brasil. Precisamos apurar responsabilidade. Não é apenas para punir, mas é apurar para que erros como esses não se repitam. É inaceitável — afirma.

O líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), defende a instalação da CPI. Mas argumenta que “a responsabilidade pela má conservação da memória nacional” é anterior à gestão do presidente Michel Temer. Segundo o parlamentar, o Ministério da Educação destinou R$ 9,4 bilhões à UFRJ entre 2016 e 2018.

— Não é algo que aconteceu nesses últimos dois anos e meio. Muito pelo contrário: essa é uma falha que se verifica de muitas administrações federais no nosso país. O que ocorreu no Museu Nacional merece a mais firme resposta. Mas é importante que a gente não deixe resvalar as avaliações para questões partidárias ou para questões de natureza mais imediata, que não contribuem para identificar as reais causas e a solução que todos nós devemos buscar — avalia.

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