Mães de crianças especiais se unem em projeto de inclusão no mundo fashion; confira


"Eu vi um concurso infantil em Rio Branco para miss e mister e procurei a organização do evento para saber como inscrever minha filha, e a resposta que obtive foi que deficiente físico não participa pelo fato de não vender"

PÂMELA FREITAS, DO CONTILNET

Um grupo de mães se reuniu em prol da inclusão no mundo fashion e criou o “De porta em porta”. O projeto foi criado pela valorização da diversidade, pela representatividade e inclusão social de pessoas com deficiência.

“Eu vi um concurso infantil em Rio Branco para miss e mister e procurei a organização do evento para saber como inscrever a Isabella, minha filha, para o próximo ano, e a resposta que eu obtive foi que deficiente físico não pode participar, pelo fato de não vender”, conta Alderlene Oliveira.

A situação indignou Alderlene Oliveira, mãe de Isabella Oliveira, de 7 anos, diagnosticada com paralisia cerebral há dois anos, mas desde pouco mais de um ano de vida já era acompanhada e inicialmente sdiagnosticada com miopatia congênita e epilepsia.

Isabella Oliveira, 7 anos/Foto: arquivo pessoal

Depois das inúmeras portas fechadas quando tentou inserir a filha no mundo da moda, Alderlene disse ter tido outra ideia quando procurou a fotógrafa Renatta Oliveira.”Pensamos, por que não criar um grupo de mães com filhos deficientes para que eles fizessem essa divulgação das marcas e das lojas?”.

“A Alderlene me procurou quando uma vez eu postei no meu Instagram que eu seria blogueira pobre, porque todo mundo só postava roupa de rico e eu iria postar com roupas de lojas populares. Ela me mandou mensagem, conversamos e decidimos fazer o primeiro ensaio”, conta a fotógrafa.

/Foto: arquivo pessoal

Para engradecer o projeto, elas procuraram outras três mães com filhos que apresentassem alguma patologia, se reuniram e conseguiram patrocínio com três lojas de roupas, mais um fotógrafo e um salão de beleza. “Na época fiquei muito triste, chorei, fiquei indignada. Não é porque ela tem uma deficiência que ela não possa participar. Depois mudei de planos e corri atrás”, conta Alderlene.

O primeiro ensaio foi realizado no sábado (29) na Universidade Federal do Acre (Ufac) com a Rentta Oliveira e Icaro Passos, fotografando, e as roupas das lojas que toparam participar do projeto, Milô Kids, Acre Fantasias e Mãe e Filha.

Modelos do ‘de porta em porta’/Foto: arquivo pessoal

Ranatta conta que quando soube da resposta negativa que a mãe da Isabella recebeu sentiu-se incapaz e colocou-se no lugar de mãe. “Se alguém me dissesse que meu filho não poderia participar de algo por ser magro ou por ser baixo, eu me sentiria extremamente ofendida, e foi assim que eu me senti quando ela me contou”.

“Nosso objetivo é que pessoas com deficiência, não só crianças, possam agregar ao grupo. Nossa intenção é a inclusão. Todo mês será realizado um ensaio, já combinamos com as lojas, os fotógrafos e as mães das crianças”, explica Alderlene.

De porta em porta

O projeto é aberto para todas as pessoas com algum tipo de patologia, independente da idade, e aberto à todas as lojas, empresas e pessoas que queiram apoiar e incentivar. Nas redes sociais do grupo é possível ver fotos do ensaio realizado e conhecer as crianças que participam. Instagram. Facebook.

 

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