Quem não fez do Acre ‘o melhor lugar da Amazônia para se viver’ agora nos xinga de traidores


Binho Marques defendeu Jorge Viana e acusou o povo de sofrer de ‘amnésia coletiva’

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DA CONTILNET

Corta aqui, Tião!

Sob a desculpa de exaltar o senador Jorge Viana (PT), derrotado em sua tentativa de reeleição, o ex-governador petista Binho Marques acabou por esculhambar o correligionário Tião Viana, a quem responsabiliza pela derrota histórica do PT nas eleições deste ano, após duas décadas de poder.

Réplica

A postagem de Binho na rede social Facebook recebeu resposta do meu colega jornalista Leonildo Rosas, porta-voz do atual governo. Na réplica, Léo chamou Marques de ‘leviano’.

Ovos quebrados

O espatifado no ninho da pata petista não é nenhuma novidade. E que eles continuem a briga – que iniciou antes mesmo de a casa vir abaixo –, é uma previsão tão óbvia que a este substantivo o escritor Nelson Rodrigues acrescentaria o adjetivo ‘ululante’.

O que é isso, companheiro?

A questão, porém, é outra: o ex-governador Binho Marques, que em seu governo nos prometeu fazer do Acre ‘o melhor lugar da Amazônia para se viver’, agora nos tacha de ‘traidores’. Dirigindo-se a Jorge Viana, disse ele o seguinte: “(…) admiro ainda mais tua postura serena nestes tempos de traição e amnésia coletiva”. Viram só?

Magda

Binho deveria ficar de bico fechado. Mais do que não ter cumprido a promessa mencionada, tratou de deixar o Acre para viver em Brasília, onde – se não estou enganado – reside até hoje.

Verdades e delírios

A segunda razão para que feche a matraca está na meia-verdade dita por ele, ao atribuir o fracasso do projeto do PT ao governador Tião Viana. A parte verdadeira é que Tião de fato aniquilou o passado de glórias do partido com as ações desastrosas do seu segundo mandato. Mas a outra metade da afirmativa, em forma de inverdade, é que o fiasco tenha decorrido da guinada nas ações políticas que relegaram o suposto projeto redentor batizado com o nome brega de ‘florestania’.

Pra inglês ver

A utopia foi destroçada pelo pragmatismo eleitoral de Marcus Alexandre, o candidato do PT ao governo derrotado pelo senador Gladson Cameli (Progressistas). Na entrevista que concedeu ao site ac24horas, o ex-prefeito tratou de pôr os pingos nos iis: “Florestania não passa de um conceito”, disparou.

Piada pronta

O mais risível desse desabafo em favor de Jorge Viana é que o autor, ferrenho defensor do projeto irrealista de desenvolvimento sustentável, tenha trocado a floresta amazônica pela selva de pedra concebida pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Esquizofrenia política  

E se a longevidade do PT no governo, decorrente da propaganda de um mero conceito vendido ao povo como projeto econômico, lhe concedeu benefícios – entre os quais uma pensão vitalícia de ex-governador –, Binho parece alheio ao que acontece no Acre atual, onde o desemprego atinge mais de 120 mil pessoas, segundo dados do IBGE divulgados em junho deste ano.

Olhar distante

Lá da Capital Federal, o ex-governador também não faz ideia da violência que ameaça a quase todos nós, em uma guerra entre facções que acaba por fazer, é claro, vítimas inocentes.

Boquinhas

Assim que deixou o cargo de chefe do Executivo estadual, Binho fez as malas sob a desculpa de que se dedicaria a um doutorado. De quebra, foi nomeado secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (MEC), durante o governo de Dilma Rousseff.

Cabeça fria

Interrompido o governo da presidenta pelo impeachment, Binho Marques não teve que se preocupar com o ganha-pão, garantido pela aposentadoria precoce, decorrente de 4 anos de serviços prestados como governador dos acreanos.

Memoriol

Ocorre que em 2003, não obstante a gritaria dos companheiros contra a reforma previdenciária proposta por Michel Temer, Lula também tratou de mudar as regras para a aposentadoria, condicionando-a ao mínimo de 60 anos de idade e 35 anos de contribuição para os homens, e de 55 anos de idade para as mulheres com o mínimo de 30 anos de contribuição à Previdência Social.

Filigranas

A reforma de Lula, aprovada pelo Congresso Nacional, acabou com a aposentadoria integral, ou seja, seu valor passou a depender do tempo de contribuição dos servidores públicos – o que a coluna considera uma medida acertada. Mas o que dizer de quem recebe mais de R$ 30 mil por mês por quatro anos de serviço, e se tornou pensionista do estado com poucos mais de 40 anos de idade?

Direitos

O Dr. Binho Marques tem o direito de dizer o que lhe der na telha. Goza também da prerrogativa de lamentar a derrota de Jorge, e atribuí-la ao irmão Tião Viana. Só não pode vir com a fanfarronice de que nós, o povo, temos memória curta e agimos como Judas Iscariotes.

Quem é o traidor?

Até porque as trinta mil moedas caem mesmo é no bolso do ex-governador, a exemplo também de Jorge Viana e Flaviano Melo, entre outros afortunados por essa sem-vergonhice.

comentários

Outras Notícias