Perto do fim, governo investe R$ 52 milhões em ‘sistema informatizado de abastecimento’


Publicação foi feita no Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 31 de outubro

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DA CONTILNET

No apagar das luzes

Há menos de dois meses para acabar, o governo Tião Viana contemplou a empresa Link Card Administradora de Benefícios com uma bolada de R$ 52,6 milhões. Em troca, a firma se encarregará de implantar e operar o sistema informatizado de abastecimento.

Minúcias

A contratação se destina ao abastecimento da frota de veículos oficiais do Poder Executivo estadual mediante uso de cartão eletrônico ou magnético, conforme discriminado na publicação do DOE do dia 31 de outubro.

À revelia

Enquanto injeta mais de R$ 52 milhões numa só empresa, para implantação de serviço que nem sequer foi discutido com o sucessor, Gladson Cameli (Progressistas), o atual governo cortou as gratificações dos servidores públicos do estado, ao mesmo tempo que obrigou a todos eles a cumprirem jornada de trabalho de 40 horas.

Questionamento

Com os hospitais fechando mais cedo – a exemplo da OCA e das delegacias de Polícia Civil, sob a justificativa de conter gastos –, a fonte da coluna, responsável pela denúncia, questionou a gastança com o sistema de uso de cartões para abastecer os carros oficiais.

Balela

De acordo com a denúncia, tampouco existe o dinheiro em caixa anunciado pelo governo como herança a ser deixada ao sucessor de Tião Viana. Segundo veiculado a partir da assessoria de imprensa do atual governador, Gladson receberia a administração estadual com mais de R$ 1 bilhão nos cofres públicos. Tudo balela, garantiu a fonte da coluna.

Eu, ombudsman

Já expliquei anteriormente aqui o significado do termo ombudsman – que vem a ser uma espécie de ‘ouvidor’ dos leitores de veículos de imprensa no que se refere a conteúdos neles publicados. A Folha de S. Paulo foi o primeiro jornal a ter um em sua folha de pagamento. E o cargo é mantido até hoje.

Por dentro do assunto

A principal obrigação do ombudsman é averiguar se as queixas dos leitores quanto à erros, omissões, exageros de repórteres e redatores procedem. E por isso mesmo o ocupante do posto quase sempre é antipatizado pelos colegas da redação. No livro “Ombudsman – o Relógio de Pascal”, Caio Túlio Costa, o primeiro a ocupar o cargo na imprensa do país, conta as agruras da função. Recomendo a leitura até para quem não é do ramo, desde que se interesse em saber como a imprensa funciona por dentro.

Direto ao ponto

Feito o introito, vou então ao assunto. Neste fim de semana, a ContilNet publicou texto em que acusa o deputado federal Alan Rick (DEM) de relegar assuntos importantes, como a saúde, enquanto se preocupa com o desenho animado ‘Super Drags’, a ser lançado pela Netflix.

Impropriedade

O texto, na opinião do colunista, cometeu a impropriedade de induzir os leitores à conclusão de que o parlamentar trata o tema saúde pública com desdém – o que não é verdade. E o próprio Alan Rick, em pedido de direito de resposta, detalhou os recursos provenientes de suas emendas destinados ao setor, de vários municípios do Acre.

Lembrete  

Vale ressaltar que um desses valores, de quase R$ 4 milhões – e que nunca foi acessado pelo governo de Tião Viana (PT) –, se destinava à reforma do hospital de Sena Madureira, João Câncio Fernandes.

Batalha árdua

Alan não se deu por satisfeito em fazer o dever de casa, tendo ido além diante da indiferença do governo em sacar o recurso. O deputado buscou apoio do Ministério Público Federal, denunciou o caso à imprensa, se reuniu com moradores do município e até pediu (junto à superintendência da Caixa Econômica Federal) prorrogação do prazo para o acesso ao dinheiro.

Postura

Quanto à preocupação do deputado federal reeleito com o desenho animado da Netflix, ela faz sentido, na opinião do colunista. E não apenas isso: a postura de Alan Rick é coerente com sua atuação na Câmara dos Deputados em defesa da família e contra a doutrinação anti-gênero em sala de aula, destinadas a crianças que deveriam estar ocupadas em aprender as disciplinas nas quais o país amarga as últimas posições no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

Pra ilustrar

Para que o leitor tenha uma ideia, na última edição do Pisa, realizada em 2015 em 70 países, o Brasil figura entre os dez últimos do ranking em ciências (63º) e matemática (65º). Já em leitura, ficamos na modesta 59ª posição. Os dados apontam que o Brasil está muito aquém das grandes potências educacionais, como Cingapura, China e Finlândia.

Dois lados

Não bastasse a impropriedade na mencionada matéria, os ataques rasteiros que se seguiram à publicação revelam as táticas espúrias dos grupos LGBTs contra quaisquer iniciativas que lhes soem adversas. Xingado e vilipendiado por representantes desse segmento, Alan Rick se viu, no entanto, apoiado por um enorme contingente de pessoas que, como ele, não querem os filhos doutrinados por ideologias de gêneros – seja nas escolas ou pelos canais de entretenimento, como a Netflix.

Recado das urnas

É preciso levar em conta que essa questão está intimamente relacionada à passagem da esquerda pelo poder central. E se testemunhamos a ascensão ao Palácio do Planalto de um candidato ultraconservador, é por ter havido, também, uma mudança na percepção do eleitor quanto a todo o ideário político anteriormente propagado. Só não percebe a mudança quem não quer enxergar o óbvio.

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