Na posse do governador Gladson Cameli, nesta terça (1º) teve de tudo: pessoas vestidas de verde e amarelo, famílias que permaneceram durante todo o dia acompanhando cada passo do novo governador, pequenos atos de protesto contra membros de partidos do antigo governo e, também, comerciantes que vislumbraram a oportunidade de ganhar uma renda extra na posse histórica – que contou com a cobertura massiva da imprensa e a impressionante participação do legislativo; algo destacado, inclusive, pelo presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Ney Amorim (PT), durante a sessão.
Antônio Silva, 53 anos, saiu de Sena Madureira para vender churros. E foi na posse do governador Gladson Cameli que ele uniu duas coisas: a oportunidade de garantir uma renda extra e estar junto de centenas de pessoas com a mesma esperança que ele.
“A gente tá cansado de tanta coisa ruim. Espero que a gente tenha segurança e emprego. Acho que essas duas coisas que o acreano mais precisa, com urgência. A economia precisa girar, as pessoas precisam se sentir bem e crescer na vida”, afirmou Antônio à reportagem do ContilNet, depois de revelar que chegou no local por volta das 9 da manhã e pretendia lucrar, em média, R$ 600.

Silva diante do seu carrinho de churros: cansado das coisas ruins/Foto: ContilNet
Rosenira Cardoso, 32, vende doces e balas. Veio de mais longe: ela é de Pauini, região do Purus. Rosenira nem acreana é – pelo menos não no registro, como brinca. Ela chegou ao Acre há algum tempo, na expectativa de melhores dias com o novo governo e, quem sabe, ficar de vez no estado. Na posse de Gladson, ela era só alegria.
“Estou esperando coisa boa desse governo, hein? [risos]. Espero que tenha segurança, precisamos de muita segurança”, disse.
Por causa dessa ênfase em segurança, a pergunta seguinte feita a Roseni foi se onde ela mora, aqui, não é seguro. E a reposta foi enfática: “Deus me livre, não pode nem andar de noite. Sete [horas] da noite, todo mundo tá dentro de casa. Não pode nem ir pra igreja. Não tem polícia, não tem nada”, reclamou. Ela está alojada no bairro 6 de Agosto.

Rosenira vive atualmente na 6 de Agosto: à noite medo até de ir à igreja/Foto: ContilNet
Rosenira é mais otimista que seu Antônio: espera lucrar mil reais. Mas, para atingir seu objetivo, o esforço foi maior: ela chegou ao Centro da cidade às 7 horas para vender seus produtos. Mas, quando perguntada sobre o que espera do governo, ela respondeu que, mesmo querendo bastante coisas boas, quer o mínimo.
“Eu espero pelo menos andar na rua, pra quando eu tiver voltando do trabalho não ser assaltada. É o mínimo que a gente, que trabalha, merece”.
