Rio Branco, Acre,


Escutas telefônicas revelam ligações estreitas entre tenente Farias, Rêmulo Diniz e o Comando Vermelho

Documentos que estavam sob segredo de justiça, vazaram na imprensa e mostram detalhes das negociações

Documentos de investigação que até então eram considerados sigilosos e estavam sob segredo de justiça, acabaram vazando na imprensa local e revelando detalhes da denúncia feita pelo site Uol, em reportagem divulgada na quarta-feira (30), mostrando que o secretário de Polícia Civil do Acre, o delegado Rêmulo Diniz, teria envolvimento com o Comando Vermelho.

Rêmulo Diniz/Foto: reprodução

As conversas mostram que células da facção criminosa pode estar atuando dentro da própria Secretaria de Justiça e Segurança Pública e ainda no Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Policia Militar.

As investigações envolvem o então secretário de Polícia Civil, Rêmulo Diniz, afastado do cargo ainda na quarta-feira, após o escândalo. Ele é acusado de envolvimento com o crime organizado e pesam ainda suspeitas de que há relações estreitas do tenente Farias,  oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope), preso no ano passado apontado como braço de apoio do grupo criminoso conhecido por Comando Vermelho, que atua no Acre.

Tenente Farias/Foto: reprodução

A peça investigatória denominada de “Secreto”, contém mais de 800 páginas e é datada do ano passado, quando por meio de escutas telefônicas revelarem, entre outras coisas, como o CV se articula para ocupar a região do Vale do Juruá e o Alto Acre no controle do tráfico de drogas. Tudo com supostas ramificações e anuência de células de dentro das próprias forças de segurança pública no Estado.

Em algumas interceptações telefônicas, as conversas envolvem diretamente o delegado Rêmulo Diniz, que na época era o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoas (DHHP)  e o tenente Farias, que era o comandante do Bope. Os dois combinam como forjar um Boletim de Ocorrência (b.o), onde um policial fora de serviço teria assassinado um suposto assaltante com três tiros pelas costas.

Em outras conversas interceptadas pelo sistema conhecido por Guardião, há relatos da apreensão de ao menos 400 kg de drogas, mas que foi apresentado na Delegacia de Flagrantes (Defla) somente 200 quilos.

Em outros diálogos, Farias faz ligações telefônicas na intenção de proteger um traficante de uma facção rival.

Como pagamento, Farias tem a promessa do traficante de receber dinheiro e até um Tatu (animal silvestre), como gratificação.

Em entrevista à imprensa, o delegado do caso, Alcino Júnior, que conduziu todas essas investigações em 2018, diz que ficou surpreso com o que viu e ouviu. Que após finalizadas as investigações, os documentos  com mandados de prisão, busca e apreensão foram entregues para providências.

“Quando houve o pedido de medidas cautelares como prisões de traficantes, do tenente e outras, nós encaminhamos o caso do delegado Rêmulo Diniz à corregedoria, em observância a nossa lei orgânica”, disse Alcino durante a entrevista.

O delegado Alcino Junior, lamentou que após a conclusão do inquérito, alguns setores da própria Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejus) queiram desarticular o processo sob o argumento que existe retaliação por parte dele, por não ter sido indicado para fazer parte do comando da Sejusp na equipe do atual governo.

“Nada disso procede, não há uma guerra de interesses. Se houvesse interesse em qualquer coisa, como cargos ou prejudicar alguém, eu teria feito uso disso no ano passado. Não é da minha índole”, afirma delegado.

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