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‘Cem anos de solidão’, de Gabriel García Márquez, vai virar série de TV

Por G1

Vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Márquez durante visita a Havana, em dezembro de 2006 Foto: Baltazar Mesa / AFP PHOTO

Obra-prima do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), “Cem anos de solidão” será adaptada pela primeira vez para as telas, mais de cinquenta anos após sua publicação, em 1967. A Netflix anunciou nesta quarta-feira que adquiriu os direitos para adaptar o romance em uma série de televisão.

Rodrigo e Gonzalo García, filhos do vencedor do prêmio Nobel, serão produtores-executivos da série. Segundo Rodrigo, García Márquez recebeu diversas ofertas para transformar o livro em filme. Mas o escritor temia que a história de “Cem anos de solidão” não coubesse ou se traduzisse bem em um ou dois filmes. Uma outra exigência do autor era de que a história fosse contada em espanhol, o que automaticamente descartava muitas propostas.

“Nos últimos três ou quatro anos, o nível de prestígio e sucesso de séries e minisséries cresceu muito. A Netflix foi uma das primeiras empresas a provar que as pessoas estão mais dispostas em assistir a séries que sejam produzidas em línguas estrangeiras e tenham legendas. Tudo que parecia ser um problema não é mais um problema”, defendeu Rodrigo García.

Francisco Ramos, vice-presidente de originais em língua espanhola na Netflix, disse que a companhia havia tentado obter os direitos do romance antes, mas fora recebida com resistência. Para ele, o sucesso de séries como “Narcos” e filmes como “Roma”, que recentemente ganhou o Oscar de melhor filme em língua estrangeira, mostraram que “podemos fazer conteúdo em língua espanhola para o mundo”.

Conforme o título sugere, “Cem anos de solidão” acompanha um século na vida da família Buendía, cujo patriarca, José Arcadio Buendía, fundou a fictícia cidade colombiana de Macondo. O livro transformou García Márquez em uma das maiores estrelas do chamado boom da literatura latino-americana dos anos 1960 e 1970 e popularizou o gênero do realismo fantástico. Desde a sua publicação, o livro vendeu cerca de 50 milhões de cópias e foi traduzido em 46 idiomas.

Ainda é muito cedo para saber quem irá escrever ou ser escalado para a série, mas Ramos diz que a produção estará comprometida em trabalhar com talentos latino-americanos, e que os episódios serão gravados na Colômbia. Os filhos de García Márquez não estarão envolvidos com as escolhas da produção. Detalhes financeiros do acordo não foram divulgados.

“Eu tenho ouvido a discussão sobre vender ou não os direitos de ‘Cem anos de solidão’ desde que tinha oito anos de idade. Não foi uma decisão difícil de tomar, para mim, meu irmão e minha mãe. Parece que um novo capítulo se abriu, mas também que um capítulo maior se encerrou”, contou García.

Para Ramos, o livro fala sobre “os cem anos que nos moldaram enquanto continente, por meio de ditaduras, nascimentos de novos países e colonialismo”. Mas ele também defende o apelo maior da história.
“Nós sabemos que será muito mágico e importante para colombianos e para a América Latina, mas o romance é universal”, afirmou o executivo.

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