Rio Branco, Acre,


Acreanas devem participar de marcha em Brasília, mas temem confronto com Bolsonaro

Movimento acontece de quatro em quatro anos e em 2019 são esperadas pelo 100 mil participantes; o Acre enviará ao encontro uma delegação de pelo menos cem ativistas

Brasília deverá ser tomada por pelo menos cem mil mulheres no próximo mês de agosto, na chamada VI Marcha das Margaridas, um evento que ocorre de quatro em quatro anos, reunindo trabalhadoras do campo e das cidades de todo o país. O Acre deverá participar do movimento com pelo menos cem mulheres, segundo foi definido nesta sexta-feira (26) entre as ativistas locais do movimento. Elas vão tentar ser recebidas pelo presidente Jair Bolsonaro e sua ministra da Família, Mulheres e Direitos Humanos, Dalmares Alves.

A Marcha das Margaridas é uma ação coletiva protagonizada pelas mulheres do campo, da floresta e das águas que integra uma agenda permanente de lutas dos movimentos sindical, feministas e de mulheres. Seu nome faz referência à Margarida Alves, presidenta do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Alagoa Grande – PB, assassinada em 1983 por pistoleiros a serviço de latifundiários.

Movimento acontece de quatro em quatro anos e em 2019 são esperadas pelo 100 mil participantes/Foto: Reprodução

As mulheres devem entregar uma pauta com reivindicações ao governo federal, revelaram as organizadoras do movimento no Acre, as ativistas Ângela Mendes e Geovana do Nascimento Castelo Branco. A última edição da Marcha das Margaridas foi ainda no governo da então presidente Dilma Rousseff, que foi muito receptiva ao movimento.

Angela Mendes é filha de Chico Mendes/Foto: Reprodução

“Nós sabemos que nesta edição a Marcha das Margaridas vai ocorrer num ambiente totalmente adverso. Este governo (de Bolsonaro) é avesso a tudo o que diz respeito aos movimentos sociais”, disse Ângela Mendes, que vem a ser a filha mais velha do sindicalista Chico Mendes. “Mesmo assim, nós vamos marcar nossa posição porque não admitimos a regressão que o país está vivendo em relação às conquistas e direitos das minorias”, acrescentou.

“De nossa parte, eu só espero que nosso movimento transcorra em paz, sem incidentes, porque a mulher brasileira já está muito traumatizada pela violência cotidiana e contra elas, na condição de gênero”, disse, por sua vez, a professora de História e ativista Geovana Castelo Branco.

Além de tentarem entregar um documento ao presidente Jair Bolsonaro e sua equipe com reivindicações, principalmente em relação à violência, as mulheres vão a Brasília numa ação solidária e convergente por democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade. “Em Brasília, vamos demarcar como fato político a luta das trabalhadoras rurais organizadas”, disse Ângela Mendes.

Geovana Castelo Branco (última, à direita) espera que o movimento seja pacífico/Foto: Reprodução

A Marcha das Margaridas de 2019 vem sendo organizada em todo o país desde o final do ano passada. O lançamento oficial do movimento em 2019 deu-se em dezembro de 2018, em Pernambuco. As trabalhadoras se preparam durante mais de um ano, realizando atividades diversas que, com grande criatividade, combinam a mobilização de recursos financeiros e a mobilização política, envolvendo atividades formativas, debates e a construção descentralizada da plataforma e pautas de reivindicação. Ao longo deste ano foram realizadas sete caravanas estaduais, importantes espaços de mobilização, debate e aprofundamento das discussões sobre o caráter, objetivos, lema, eixos políticos e estratégia de ação locais e nacional. Elas também abriram debate em torno de ajuda financeira para o custeio da marcha.

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