Rio Branco, Acre,

Delator afirma que Marinheiro desviou quase meio milhão de reais para a campanha de Marcos Alexandre

Kenedy contou durante sua delação, que o órgão municipal, desviou muito dinheiro público, tanto para suprir regalias pessoais, como para agradar parlamentares da Frente Popular

Fontes da reportagem do ContilNet revelam que no depoimento do ex-assessor de Jackson Marinheiro, Gerson Kenedy Costae Silva, 35 anos, concedido ao Ministério Público, devidamente registrado no acordo de delação premiada, foi relatado que o ex-diretor da Emurb, preso no último dia 30, após ter descumprido medidas para garantir a aplicação da lei penal, já que se constatou a venda clandestina e ilegal de 100 bovinos de sua fazenda, desviou dos cofres públicos, quase R$ 500 mil reais, que foram gastos na primeira campanha do ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT) no ano de 2012.

Gerson, que chegou a ser preso na primeira fase da Operação Midas, ocorrida em setembro de 2016, quando foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e realizadas três inspeções, disse que atuou por dois anos como chefe de almoxarifado, mais dois anos como assessor pessoal de Marinheiro, além de ter trabalhado um ano como assessor do ex-prefeito do PT.

Jackson Marinheiro, ex-diretor da Emurb

Quando atuava na Emurb, Kenedy relatou que trabalhou como coordenador da campanha do ex-gestor em 2012, Comitê Regional 3, responsável pela parte alta da cidade, localizado no bairro Trancredo Neves, mas que, no entanto, era comandada nos bastidores pelo próprio Jackson.

Em parte do documento, Gerson diz: “a campanha foi toda com dinheiro ilícito, cerca de R$ 450 mil reais desviados a mando de Jackson Marinheiro”. O delator diz ainda que gestor era subordinado à grupos políticos, dentre eles, o do próprio Marcos com o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, André Kamai.

O delator explicou que o montante foi usado apenas para beneficiar a eleição do petista Alexnadre. “O valor foi gasto em aluguel de comitê, em alimentação de pessoas, energia, carros particulares e de som, pessoas, construção, pintura, grana para lanche e almoço, café da manhã”, ponderou afirmando que em 2012, o dinheiro foi usado para a compra de votos no valor de R$ 100 reais cada.

Em parte do depoimento o delator relata que todo o esquema de corrupção funcionava com o aval do ex-prefeito, no entanto, na hora do desvio, Jackson triplicava o valor estabelecido pelo grupo político. “O Marcos determinava um valor X, o Jackson ia lá e colocava quatro X. Com isso, ela usava tanto o dinheiro para a política, como para o benefício próprio”, disse.

Kenedy contou durante sua delação, que o órgão municipal desviou muito dinheiro público, tanto para suprir regalias pessoais, como para agradar parlamentares da Frente Popular do Acre (FPA). Dentre as supostas regalias, ele destacou a compra de imóveis e de gado.

Ao citar a fortuna adquirida pelo ex-diretor, no período em que comandou a Emurb, Gerson frisou que chega aproximadamente na casa de R$ 2 milhões, “em casas, gado, terras e fazendas”, citou.

Marcus Alexandre teria se benefificado com quase meio milhão de reais da Emurb

Como funcionava o esquema de corrupção

Gerson contou em sua delação detalhes de como eram desviados recursos públicos de maneira ilícita. Como chefe de almoxarifado, ele cuidava da parte de canos, cimento, tampa de PV e demais materiais de construção, utilizados até os dias de hoje. “As coisas funcionava de uma forma desordenada mesmo. Eu atestava as notas para ir para pagamentos. Eu atestava coisas que não sabia o que estava fazendo, por exemplo, documentos que entrava como prego, prego que entrava como leite, roupa que entrava como cano, o cano entrava como dinheiro para campanha, que entrava como gasolina. Ou seja, era impossível ter algum tipo de controle”, diz trecho do depoimento.

Durante essa semana, a reportagem do ContilNet irá trazer mais detalhes sobre a delação de Gerson Keneddy, como por exemplo, os desvios do órgão para a campanha majoritária de 2014 que beneficiou mais de 14 candidatos que disputaram cargos ao governo, de deputado estadual e federal, bem como a existência de cargos comissionados fantasmas que recebiam recursos sem trabalhar. Até aos amantes dos chefes eram pagas com dinheiro da Emurb.

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