Rio Branco, Acre,


Confraria dos Últimos Românticos: Are you feeling good Mariana?

Todos os dias Mariana fazia o mesmo ritual colocando a mesma música. E eu ficava hipnotizada

Parte I

Eu era apaixonada por Mariana. Completamente, loucamente, obsessivamente apaixonada por Mariana. Eu amava a forma como ela prendia os cabelos cacheados no topo da cabeça ou o jeito que apertava os lábios quando estava fazendo contas. Adorava as nossas conversas por WhatsApp que duravam o dia inteiro ou as nossas piadas internas. E, acima de tudo, eu amava que trabalhávamos juntas em um pequeno bar perto da universidade federal.

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Todos os dias, antes de fecharmos o bar, ela colocava uma música da Nina Simone para tocar no jukebox. Era sempre a mesma música, era sempre o mesmo ritual.

Fechava os olhos e começava a dançar, balançando o quadril de um lado para o outro, usando a vassoura como parceiro de dança, arrastando os pés pelo chão sujo de cerveja e amendoins. Como se estivesse em seu próprio mundo, o pequeno, encantador e melancólico mundo de Mariana.

It’s a new dawn

It’s a new day

It’s a new life

For me

And I’m feeling good

O que você estava pensando, Mariana? Eu não sabia o que aquela música significava para ela, mas sabia que era importante. E ficava hipnotizada por aquele pequeno show.

Acontece que Mariana era assim, hipnotizante. Do tipo que você precisa acompanhar com o olhar, para não perder nenhum segundo da presença que ela emanava. Como se soubesse algum segredo que você ficava louco para descobrir. O que você me escondia Mariana?

Só tinha um problema: Mariana não gostava de mulheres. Ou pelo menos era o que eu achava naquela época.

Então você pode imaginar como era frustrante ser uma mulher lésbica apaixonada por uma mulher heterossexual. Por isso, eu me contentei em ter uma relação platônica, em ser sua amiga e confidente. Em ouvir os problemas que ela tinha com o namorado e seu sonho de viajar o mundo. Só que, quanto mais a conhecia, mais me apaixonava. Você sabia disso Mariana?

Nós trabalhamos juntas por quase um ano e eu achava que a conhecia como a palma da minha mão. Eu tinha a certeza que iríamos ser amigas para sempre, aquela certeza do futuro que só temos aos 20 anos. E acreditava que nunca teria a chance de beijar os seus lábios ou sentir a maciez do seu corpo.

Eu não poderia estar mais errada.

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