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Acre pode se livrar da vacinação contra a febre aftosa em maio do ano que vem

Por TIÃO MAIA, DO CONTILNET

A retirada da vacinação contra a febre aftosa no rebanho bovino do Acre, estimado em três milhões de animais, vai ocorrer em maio do ano que vem. Isso significa que nem mesmo a vacina será encontrada para venda no mercado porque o Acre, ao lado de Rondônia e da região sul do Amazonas, onde está localizado o município de Boca do Acre, será um dos poucos estados brasileiros livre a doença.

O anúncio foi feito neste domingo (20), pelo médico veterinário Edivan Maciel de Azevedo, vice-presidente da Federação da Agricultura do Acre (Feac) e conselheiro do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária no Acre (Fundepec), durante reunião com pecuaristas do município de Acrelândia, na região do Abunã. A decisão da suspensão da vacina no Acre é do Ministério da Agricultura, abastecimento e Pecuária (Mapa), já comunicada à Feac e aos pecuaristas locais.

A suspensão da vacina vai ocorrer 20 anos após ter sido iniciada, após 40 campanhas de vacinação (duas vezes ao ano), depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), ter reconhecido, em Paris, França, a erradicação da doença no Estado, mas ainda recomendando a vacinação que agora vai ter fim.

A aftosa é um doença viral, infecciosa aguda e de rápido contágio, que causa febre e o aparecimento de vesículas/Foto: Reprodução

A aftosa é um doença viral, infecciosa aguda e de rápido contágio, que causa febre e o aparecimento de vesículas (bolhas), que se transformam em aftas nas regiões da boca e patas dos animais das espécies bovina, ovina, caprina e suína – animais de cascos fendidos. A doença também pode atingir o ser humano que consumir a carne de animais contaminados e pode causar o mesmo incômodo de febre e aftas na boca.

O grande impacto desta decisão é de ordem econômica e financeira, já que, de acordo com Edivan Maciel, isso permitirá que os pecuaristas possam acessar mercados externos que pagam melhor e que só consomem carnes sem qualquer risco de aftosa, mesmo em relação à vacina. É o caso do Japão e Coréia.

De acordo com o veterinário, países como a Bolívia e o Peru já são livres em vacina e não há risco de contaminação do rebanho local. “O Acre estava ficando isolado”, disse Edivan Maciel. “Mas isso já tem data marcada para ter fim”, acrescentou.

O veterinário também recomenda que em caso de suspeita de doença nos animais o fato seja imediatamente comunicado ao Fundepec e às autoridades sanitárias. Os animais sob suspeição de contrair a doença devem ser imediatamente sacrificados. “O pecuarista não pode, sob hipótese alguma, a tentar tratar o animal doente”, disse Maciel.

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