Rio Branco, Acre,


Confraria dos Últimos Românticos: Nós que nem gente somos

“Que estranho dar um boa noite sem amor. Foi quase que automático, e graças aos céus não saiu da minha boca a tempo”

No chão da sala tinha mais que nós dois. Tava muito frio, o lençol era fino e já era muito tarde para alguém ir embora.

Não que algum de nós quisesse.

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Estava preso, como disse. Dei um boa noite, que quase devia ser bom dia. Veio uma sequência de palavras, e o engraçado é que horas antes falávamos de como os conceitos e sentimentos não existem sem as mesmas.

Eu discordei, como sempre discordo de qualquer coisa.

Boa noite — te amo, eu sussurrei na minha cabeça.

Que estranho dar um boa noite sem amor. Foi quase que automático, e graças aos céus não saiu da minha boca a tempo. Fechei essa porta antes mesmo de quase se ver a fresta de sentimentos que tão (ainda) por aqui.

Deve ter sido porque ele mexeu nos vinis que estão na estante. Aqueles que eu ganhei, não consegui ouvir e agora parecem uma herança de alguém que morreu e me escolheu em testamento.

Quase disse pra não mexer. Na hora pensei porque eu ainda tenho isso, e deve ser pelo mesmo motivo que não apaguei as 400 milhões de mensagens. Tá arquivado, mas ainda tá aqui.

Os vinis estão intocados, mas ainda estão ali.

Ele não está mais aqui, mas o eu te amo ainda segue junto com o boa noite, que eu não disse, mas lembrei pra quem eu dizia. Coisa daquelas que eu não peço pra existir, mas quem sabe também vá embora de manhã, numa despedida leve, como saladas de frutas com tapioca.

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