Rio Branco, Acre,


“Descobri câncer enquanto amamentava”, diz acreana que venceu luta conta a doença

“Cuide-se. Procure um médico sempre. Os exames dão segurança para a mulher", aconselha Terezinha

A descoberta de um câncer muda toda a vida de uma pessoa. Sentimentos se misturam de forma confusa, o equilíbrio dá lugar ao medo e as possibilidades não se mostram muito claras, por vários motivos – muitos deles pessoais e difíceis. Isso tudo aconteceu na vida da missionária católica e aposentada Terezinha de Jesus Gomes Zanes Sarkis, que tem uma história de superação e luta com o câncer de mama.

A xapuriense de 55 anos, casada com Nader Melo, mãe de Haroldo, Elias e Aron, descobriu o tumor no seio quando amamentava o último filho, na época com três anos, após uma gravidez descoberta aos 45.

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Terezinha com o esposo, os filhos e netos/Foto: Arquivo Pessoal

“Estava tudo indo muito bem. Eu havia tido o Aron, meu caçula, e a família toda estava vivendo a alegria de ter um novo membro. Por conta de uma anemia diagnosticada no início da infância, decidi amamentá-lo até os 3 anos, também por orientação médica. Um dia, tudo mudou de forma”, explicou.

Em abril de 2009, comtemplando um dos momentos mais sublimes da relação entre uma mãe e o seu bebê, Terezinha percebeu algo diferente em um dos seios. “Eu senti aquele nódulo estranho no meu seio e fiquei muito preocupada. Eu sabia que alguma coisa não estava bem ali”, comentou.

Ao compartilhar a descoberta com o pai do pequeno Aron, seu marido, Terezinha decidiu ir até à capital acreana, no intuito de investigar o gânglio.

“Lembro que fomos à médica e ela pediu uma mamografia, com urgência. Ao verificar o resultado, me encaminhou para São Paulo e me disse que precisava ir o mais rápido possível”, disse emocionada.

Apoio no caos

“Eu não suportaria aquilo sozinha, sem a fé em Deus e sem minha família, que foram fundamentais nesse processo. Até aí o câncer ainda não havia sido confirmado, mas suspeitávamos de algo”, continuou.

Chegando em São Paulo, Terezinha precisou refazer alguns exames, pelas exigências do hospital A.C Camargo. Uma das maiores dificuldades nesse processo, de acordo com ela, era receber um resultado desfavorável diante do problema de saúde de Náder, que era cardiopata e já havia passado por um procedimento cirúrgico.

“Foi angustiante. Lembro que peguei o envelope do resultado, com Nader ao meu lado, e abri. Olhei para ele e disse, depois de conferir aquelas letras que confirmavam o que ninguém queria: “É, deu câncer, mas vamos enfrentar com muita fé e coragem”, relatou.

Em maio do mesmo ano, Terezinha começou as quimioterapias em São Paulo, com o apoio de toda a família e amigos. Foram oito sessões até a outra notícia que gerou uma esperança na religiosa.

O médico decidiu fazer uma cirurgia de remoção do tumor em novembro do mesmo ano.

“Aquilo me aliviou. Eu estava sendo muito apoiada por meu esposo, meus filhos, famílias e amigos que oravam por mim. Hoje, olhando para essa situação, sinto que a superação de um câncer depende consideravelmente do apoio que recebemos daqueles que amamos e da fé que nos move em direção à cura”, enfatizou.

Terezinha também foi submetida a uma cirurgia de esvaziamento axilar, por conta das proporções que o câncer tomou.

Superação

Encerrada a cirurgia, a educadora de profissão precisou passar por 36 sessões de radioterapia.

“Eu já estava muito bem, mas ainda insistia em cuidar de mim, pois sabia que todo cuidado era pouco naquele momento da minha vida”, disse.

Os efeitos do tratamento eram inúmeros e afetavam diretamente sua saúde, mas a fé em ficar curada “era maior” – como pontuou.

“Os efeitos adversos eram inúmeros, desde vômitos até dores, mas eu tinha um objetivo de vida, que era ficar curada. A fé ia além dos sintomas”, salientou.

Cuidados que permanecem para sempre

Embora a tempestade tivesse passado, o fato era que o estilo de vida adotado por Terezinha precisava incluir algumas precauções.

“Embora eu estivesse curada do câncer, sabia que ele fazia parte de uma fase da minha vida e, por isso, eu sentia a necessidade, e ainda sinto, de cuidar mais ainda de mim, obedecer aos prazos dos exames, continuar as consultas periódicas e etc. Eu adotei esse estilo de vida”, confessou.

Quando questionada sobre o que falaria para as mulheres que hoje enfrentam o diagnóstico ou precisam atuar na prevenção, destacou:

“Cuide-se. Não se oculte. Procure um médico sempre para realizar os exames que dão segurança para a mulher. Não deixe de investigar o seu corpo sempre, mesmo quando não sentir que algo está fora do normal. Se perceber que existe um problema, vá ao médico o quanto antes, pois o tratamento depende muito dessa descoberta precoce. Seja forte e tenha fé”, finalizou.

Outubro Rosa

Outubro Rosa é uma campanha anual realizada mundialmente em outubro, com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama. A mobilização visa também à disseminação de dados preventivos e ressalta a importância de olhar com atenção para a saúde, além de lutar por direitos como o atendimento médico e o suporte emocional, garantindo um tratamento de qualidade.

Durante o mês, diversas instituições abordam o tema para encorajar mulheres a realizarem seus exames e muitas até os disponibilizam. Iniciativas como essa são fundamentais para a prevenção, visto que nos estágios iniciais, a doença é assintomática.

Sobre o câncer de mama

O câncer de mama é um tumor maligno que ataca o tecido mamário e é um dos tipos mais comuns, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA. Ele se desenvolve quando ocorre uma alteração de apenas alguns trechos das moléculas de DNA, causando uma multiplicação das células anormais que geram o cisto.

A importância da mamografia

Segundo o Instituto Oncoguia, diagnosticar o câncer precocemente aumenta significantemente as chances de cura, 95% dos casos identificados em estágio inicial têm possibilidade de cura. Por isso, a mamografia é imprescindível, sendo o principal método para o rastreamento da doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) das 11,5 milhões de mamografias que deveriam ter sido realizadas no ano passado, apenas 2,7 milhões foram feitas. A diminuição acentuada do exame é um fator de risco para milhares de mulheres e um alerta para a importância da campanha.

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