Rio Branco, Acre,


Hospital do Amor faz arrecadação de R$ 500 mil com leilões no Alto Acre

Gado, eletrodomésticos e mercadorias doados são leiloados e o dinheiro será doado

O Hospital De Amor, anteriormente conhecido como Hospital de Câncer de Barretos, uma instituição de saúde filantrópica brasileira especializada no tratamento e prevenção de câncer com sede em Barretos, São Paulo, e que chegou ao Acre em 2018, vai poder contar com pelo menos R$ 500 mil doados pela comunidade do Alto Acre. Os recursos foram obtidos através de leilões de animais, mercadorias e eletrodomésticos doados por fazendeiros e comerciantes de Brasileia e Xapuri, no Alto Acre.

A última versão do “I Leilão Direito de Viver”, como o evento é chamado, foi realizada em Xapuri, no último domingo (6). Em Brasileia, na semana anterior, foram arrecadados mais de R$ 350 mil com o leilão de 240 cabeças de gado e mercadorias doadas por comerciantes da região, com o apoio da maçonaria local. Em Xapuri, no domingo, foram leiloados 170 animais, além dos eletrodomésticos e mercadorias captados através de doação junto ao comércio local.

O Hospital de Amor tem um gasto mensal estimado em R$ 350 mil, dos quais o Governo do Estado, através de convênio, custeia R$ 100 mil – o resto é captado através de doações e de eventos como os que foram realizados em Brasileia e Xapuri e que serão expandidos para outros municípios, de acordo com o coordenador do evento o Alto Acre, o pecuarista Júnior Ignácio.

O Hospital também sobrevive do trabalho voluntário, como o da pecuarista Maria Teresa Moraes, 55 anos, proprietária do rancho “Porta do Céu”, em Rio Branco. Há quatro anos, em Barretos, ela foi diagnosticada com câncer de mama e esta curada, acredita, graças ao Hospital de Amor, razão pela qual, nas horas vagas, ela se entrega ao voluntariado e à causa de combate à doença, além de promover palestra em que conta sua experiência pessoal e pede, principalmente às mulheres, que procurem se prevenir contra o mal. “Quando a gente descobre que está com câncer, nos falta chão e a certeza de que vamos morrer é latente. Isso é possível de ser evitado”, disse.

Voluntarismo e solidariedade, ao que tudo indica, são matérias que se aprende desde cedo nesta causa de combate ao câncer. É o caso da estudante Carolina Rodrigues, de apenas oito anos. Ela doou cerca de 20 centímetros dos próprios cabelos para a causa do hospital. Durante o leilão em Xapuri, ela doou cerca de 20 centímetros dos próprios cabelos. “Foi uma iniciativa dela”, disse a comerciante Claudete Rodrigues, 37 anos e mãe de outra filha menor, sem esconder o orgulho com a decisão da filha Carolina.

Outra estudante, Maitê Lima, de 22 anos, que estuda gestão ambiental no Ifac (Incuto Federal do Acre), em Xapuri, também decidiu desbastar os belos cabelos para a causa. “Os cabelos nascem de novo e só em pensar que com esse pequeno gesto a gente pode fazer o bem para várias pessoas, isso vale a pena”, disse a jovem.

Os cabelos das doadoras são podados por cabeleireiros profissionais como Júlio Veilant, de 35 anos, que trabalha em Brasileia, com mais de 15 anos de profissão. Depois de cortados, os cabelos são enviados para Ji-Paraná (RO), onde são transformados em perucas e distribuídos entre pacientes em tratamento, as quais perdem os cabelos devido à agressão da quimioterapia no combate à doença. “Quando a gente fica careca, a primeira coisa que a doença nos causa é a perda da autoestima. As perucas têm o poder de nos devolver a vontade de ter cabelos de volta e a viver”, disse Maria Teresa, aquela ex-paciente que se transformou em voluntária da causa.

“A função do comércio não é só a de negociar. É também a causa social, com a geração de empregos e distribuição de renda”, disse o comerciante Edilson Honório, dono do Mercantil “São Sebastião”, em Brasiléia, que doou parte dos eletrodomésticos e mercadorias leiloados. “Doar nosso tempo e parte do nosso lucro também faz parte do negócio, principalmente em relação a um causa como esta”, disse.

O “Frios Vilhena”, comércio de frios instalado no Acre faz 30 anos, também está na causa de combate e prevenção ao câncer, disse seu proprietário José Carlos Cadilho. “O comércio pode ajudar muito nesta causa”, disse o empresário, que gera pelo menos mil empregos em empreendidos espalhados nos estados de Rondônia e Acre.

A politica também está na causa, disse o prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos (PT). “O câncer, infelizmente, é uma doença democrática, Atinge a todos, os ricos e pobres, os doutores e os sem-saberes. Por isso, o seu combate e prevenção merecem o engajamento de todos nós, dos políticos e dos cidadãos que atuam em outras áreas”, disse,

“O Alto Acre deu um exemplo de solidariedade e amor na colaboração para arrecadação de recursos necessários à ajuda a manutenção do Hospital de Amor”, disse o auditor fiscal e empresário Torres Lima, da Pousada Laurean, em Epitaciolândia. “Que outras regiões do Estado também entrem nesta causa”, propôs.

O Hospital de Amor no Acre é resultado de uma parceria grandiosa entre o Hospital de Barretos, o governo do Estado e o Ministério Público do Trabalho (MPT), além de outras instituições públicas e parcerias privadas. Sua implantação custou investimentos da ordem de R$ 31 milhões, obtidos através de doo MPT do Acre e Rondônia, que cedeu o montante vindo de precatórios pagos pelo Estado resultado de processos dos anos 90.

O Acre tem a terceira maior taxa de mortalidade por câncer de colo de útero no país. Dados de 2014 do Instituto Nacional do Câncer mostram que, a cada 100 mil mulheres no Estado, 10,9 morrem por causa da doença. Com o hospital instalado no Acre, que também vai contar com e as unidades móveis, que viajarão pelo interior do Estado ao encontro de pacientes, será possível fazer o rastreamento, a prevenção e detecção precoce do câncer de mama, do grupo de mulheres na faixa etária de 40 a 69 anos, e do câncer de colo de útero, entre 25 a 64 anos, em todo o estado.

De acordo com o Departamento de Prevenção do Hospital de Amor de Barretos, a expectativa é alcançar pelo menos 70% dessas possíveis pacientes – mulheres, que terão acesso à prevenção e, com o diagnóstico precoce, as chances de cura da doença podem subir até 95%. Hoje, 70% das mulheres que tem diagnóstico de câncer no Estado já chegam com a doença num estágio avançado, o que diminui para 40% a 30% as chances de cura.

A capacidade do Hospital de Amor é de mais de oito mil procedimentos por mês. Ao menos 90 mil mulheres em todos os municípios devem ser beneficiadas, reduzindo a incidência de câncer avançado no Estado.

A unidade fixa, instalada em Rio Branco, conta com toda a tecnologia de ponta e está dividida em alas nas quais são realizados os exames. Além disso, conta com uma área para a realização de cirurgias de pequeno porte, com toda área administrativa e de educação continuada.

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