Músicos e cantores de Música Popular Brasileira (MPB) com atuação no Acre, principalmente na Capital, se reúnem na noite desta quarta-feira (20), na antiga Rua da África, no Segundo Distrito de Rio Branco (AC), pra uma roda e samba em homenagem à cultura negra. É uma iniciativa do grupo “Samba Popular Livre”, que inclui vários integrantes, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, comemorado hoje em várias partes do país.
A Rua da África era assim chamada, antes de ruir mediante a voçoroca do rio Acre, porque ali moravam, no início da colonização acreana, negros vindos de várias partes do país. “Eu acho que eram negros vindos sobretudo do Maranhão”, diz o ativista político Abrahim Farhat Neto, 68 anos, nascido no Segundo Distrito da cidade e que conheceu a Rua da África e muito de seus moradores. “Com o crescimento da cidade e a miscigenação, os negros dali migraram para outras partes da cidade e deixaram, a Rua da África, que nada mais era que um gueto no coração de Rio Branco”, disse.
Os artistas vão celebrar o Dia da Consciência Negra mesmo que a data não seja de feriado em Rio Branco. O Dia é celebrado no Brasil em 20 de novembro, desde 2003, quando foi instituído como efeméride incluída no calendário escolar — até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. O Dia é feriado em cerca de mil cidades em todo o país e nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro através de decretos estaduais. Em estados que não aderiram à lei, caso do Acre, a responsabilidade é de cada câmara de vereadores, que decide se haverá o feriado no município.
Historiadores, como o professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, da Universidade Federal do acre (Ufac), dizem que a ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. “A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista”, disse o professor.
O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. A data, dentre outras coisas, suscita questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira, assim como a promoção de fóruns, debates e outras atividades que valorizam a cultura africana.
“O Samba Popular Livre tem muita alegria em comemorar o seu primeiro ano de existência com uma roda de samba aqui, neste espaço. O Samba Popular Livre é do para o povo”, disse o sambista Anderson Liguth, um dos intérpretes a se apresentar esta noite. ‘A gente vai apresdntar sambas de resistência, como é a ideia do projeto, que é cantar sambas antigos e sambas novos, que tragam mensagem de pez e de amor e, principalmente, de esperança para o nosso povo.
