Após fugir de presídio, detentos teriam feito família refém próximo ao FOC

Houve pelo menos quatro falhas graves e que resultaram na fuga de quatro presidiários de alta periculosidade do pavilhão “P”, da penitenciária de segurança máxima “Francisco D’Oliveira Conde”, em Rio Branco (AC), na madrugada da última segunda-feira (13), admite a própria Polícia Penal, responsável pela segurança do sistema prisional do Estado. Os quatro fugitivos (Samuel da Silva Souza, Thiago Ferreira de Araújo e Jeferson Jesus e Castro), todos ligados ao Comando Vermelho, facção criminosa fundada no Rio de Janeiro e que atua no submundo do crime de todo o país, incluindo o Acre, destruíram as celas que os mantinham confinados e improvisaram cordas com lençóis – as chamadas “Teresas” – para escalarem o muro do presídio e dali saltarem para a liberdade criminosa.

Investigações preliminares informaram que o grupo invadiu uma chácara das imediações da penitenciária, fizeram os moradores reféns, exigiram telefones para ligarem aos comparsas e foram resgatados, vestindo roupas comuns e deixaram para trás os uniformes de presos. Os quatro continuam sendo procuradores pelo sistema de segurança pública do Acre.

A fuga ocorreu uma semana antes da transição que estabelece a segurança dos presídios acreanos como atribuição precípua da Polícia Penal, instituição recém-criada pela Assembleia Legislativa e que retira a Polícia Militar do sistema prisional do Estado.

Paralelo às buscas aos fugitivos, a Polícia Penal promove investigações e busca respostas para pelo menos aquelas quatro perguntas relacionadas à fuga. O primeiro questionamento é em relação ao fato de que, apesar de haver policiais penais de plantão, ninguém viu ou ouviu o barulho das atividades dos presos serrando as grandes que os mantinham presos. “O barulho de serras em atividade não é baixo”, disse Mário Luiz, professor de física da Universidade Federal do Acre (Ufac).

A segunda pergunta é como os presos tiveram acesso aos equipamentos que permitiram a serragem das grades. A terceira pergunta – esta ainda mais estranha – é em relação ao silêncio dos sensores de movimento instalados nos corredores da penitenciária que deveriam emitir sinais de alerta quando da passagem dos fugitivos e isso não aconteceu.

Mais intrigante ainda foi o fato de quatro detentos caminharem pelo pátio externo e chegassem às muralhas sem serem vistos pelo sistema de monitoramento eletrônico. As investigações querem saber onde estavam os policiais responsáveis pela fiscalização nas guaritas do presídio, que ficam postados nesses locais estratégicos, com visão ampla de todo o presídio e, mesmo assim, não viram os presos escalando os muros.

O diretor do sistema prisional do Estado e comandante da Polícia Penal, Lucas Gomes, mandou instalar sindicância para apurar o caso e buscar as respostas às quaro perguntas que intrigam a fuga. “Estamos adotando todos os procedimentos legais para esclarecer isso”, disse Gomes.

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