Ele não é exatamente um artista, mas pode dizer que, como trabalhador, sua vida era andar por este país, como canta o imortal Luiz Gonzaga, que costuma tocar, nas horas vagas, num violão de sete cordas. Era motorista de caminhão – na verdade, carreta do tipo bi-trem, transportado caixas d’agua de plástico do Rio Grande do Sul ao Acre, passando por diversos estados brasileiros.
“Cheguei a transportar 150 mil caixas d’água de plástico, uma dentro da outra, numa única viagem. Quando vinha para o Acre, voltava com castanha e madeira”, conta Gersonney Fleury Silva da Costa, 41 anos de idade, nascido em Rio Branco, no bairro da Cadeia Velha. Fazia uma média de R$ 2.800 por mês de salário e mais uma ajuda de custo.
Tem cinco filhos – com cinco mulheres diferentes e, depois de tantos anos na estrada, resolveu parar e evitar os perigos da vida ao volante e fixar-se na cidade onde nasceu, no bairro Nova Estação, ao lado dos familiares, incluindo a mãe, Alice Barroso da Silva, de 58 anos, e o pai, o policial militar aposentado Francisco Façanha da Costa, 60 anos.
Uma das causas que o levou a parar as atividades de motorista de caminhão foi o uso do “rebite”, um coquetel de anfetamina utilizada pelos caminhoneiros para aumentar o número de horas na estrada, seja para cumprir prazos apertados, seja para executar mais transportes de cargas. “Viagens que eu tinha que fazer em 15 dias, por causa do rebite, estava fazendo em sete. Aí oercebi que era hora de parar”, disse. “T8nha filhos para criar, eu me lembrei”, acrescentou
Parar de dirigir caminhões, significaria entrar para a lista dos desempregados deste país, onde há uma fila de pelo menos 11 milhões de brasileiros, uma lista que só aumenta mesmo no Governo de Jair Bolsonaro, que prometeu um Brasil de menos desemprego e de economia melhorada. Gersonney Fleury Silva da Costa, no entanto, se recusou a fazer parte da lista dos desempregados e passou a trabalhar por conta própria.
E não faz qualquer trabalho. É braçal, limpador de caixas-d’água, uma espécie de faz tudo. “Além de limpar caixas d’agua, tapo goteiras, limpo quintais, faço de tudo um pouco”, diz. “Quando não tenho trabalho, vou ao Horto Floresta junto dez sacas de paú para adubar hortas e jardins e anuncio na Internet a R$ 30,00 a saca e vendo tudo. O pessoal vai na minha casa só buscar”, conta.
Com tanta atividades, Gersonney Fleury faz uma média de R$ 300 por dia, e é um exemplo a ser seguido. “Eu acho que só fica desempregado quem quer. Basta ter coragem para trabalhar e não enjeitar desafios porque trabalho tem”, diz.
Gersonney Fleury afirma ainda que, para trabalhar, tem como aliados o telefone e a rede mundial de computadores. Suas atividades são anunciadas por redes sociais nas quais ele divulga o número do telefone para contratação. O número do telefone é 99612 7957.

